''Uma gestação de nove anos.'' Foi dessa forma que Lucimar Nóbrega, 42 anos, definiu o processo de espera até a chegada do filho Bernardo, atualmente com 7 anos. Depois de três anos de tratamentos para engravidar, ela e o marido, Lourival Medeiros, 50, tomaram a decisão de adotar uma criança. O processo para conseguir realizar o sonho de serem pais foi longo e, em alguns momentos, muito doloroso. Hoje, com o filho em casa há quase seis anos, eles só têm a agradecer pela iniciativa. O amor incondicional despertou no momento em que conheceram o garoto e trouxe aos três o sentimento de viver em família.
A história dos pais de Bernardo começou com um namoro de sete anos. ''Como namoramos muito tempo, assim que nos casamos, começamos a pensar em ter um filho'', conta Lucimar. Como não engravidava a despeito dos vários tratamentos realizados pelo casal, decidiram entrar na fila de adoção após três anos de tentativas de gerar um bebê.
''É um processo muito doloroso. A psicóloga da Vara da Infância faz uma investigação que vai no nosso íntimo. Me sentia impotente diante da situação'', conta a mãe, que ficou vários anos na fila da adoção em Londrina sem êxito de adotar uma criança.
Bernardo estava abrigado em outro município quando foi adotado pelo casal. ''Só vi a foto dele um dia antes de conhecê-lo. Depois de muitas tentativas frustradas, queria ter certeza que tinha dado tudo certo'', relembra. Inscritos para adotar uma menina, eles se encantaram por Bernardo, à época com um ano e meio, e nunca mais conseguiram ''desgrudar'' do garoto. ''Ele veio andando, nos 'reconheceu' e se aninhou no meu colo. O amor começou ali'', emociona-se Lucimar, para quem o filho ''salvou nossa vida''.
Depois de 16 anos de relacionamento, ela recorda que a relação do casal se desgastou pela falta de filhos. ''Fomos nos distanciando, ficamos individualistas. Não nos sentíamos uma família'', conta, lembrando que, inclusive, teve depressão por causa da dificuldade de engravidar. ''É muito difícil para uma mulher não poder gerar filhos. Venho de família grande e me sentia muito frustrada'', diz.
Com lágrimas nos olhos, Lucimar revela que a chegada de Bernardo deixou os dias de tristeza no passado. ''Ele é um anjo que trouxe a união de volta para nossa casa. Minha vida e a do meu marido foram transformadas, hoje nos sentimos como uma verdadeira família'', acredita.
Atualmente estudando Pedagogia, Lucimar parou de trabalhar para cuidar do filho e não se arrepende da decisão. ''Queria que ele se sentisse muito amado'', explica ela, que recebe diariamente o retorno do afeto. ''Bernardo é alegre e muito amoroso. Diz que me ama todos os dias.''
O menino sabe que não foi gerado pela mãe e tem recebido respostas a todas as dúvidas sobre a própria história à medida em que elas surgem. ''Rezo pela mãe biológica porque não deve ter sido uma decisão fácil abrir mão do filho. Fazer isso porque sabe que não vai dar conta de criá-lo não deixa de ser um ato de amor'', considera.
Para as pessoas que enfrentam o dilema da adoção, ela recomenda, em primeiro lugar, procurar os meios legais para garantir a legitimidade do processo. ''Vale a pena correr atrás do sonho de ser mãe, porque a maternidade é abençoada. Não tem como explicar, é preciso vivê-la''.
O amor incondicional por Bernardo fica expresso em todos os momentos do dia. ''Se fizer o teste de DNA, acho que vai dar positivo, porque ele é totalmente como a gente. Se saísse da barriga, não acho que haveria tantas semelhanças'', brinca.

Imagem ilustrativa da imagem Um gesto transformador
| Foto: Marcos Zanutto
Lucimar Nóbrega, 42 anos, e Bernardo, 7: ''Se saísse da barriga, não acho que haveria tantas semelhanças''