Sobras guardadas na geladeira são ingredientes de pratos saborosos. Quem dá a dica é o chef catalão Ferran Adrià, de 43 anos, em seu livro ‘‘Cocinar en casa’’. Adrià ensina a cultivar o prazer de cozinhar.
  ‘‘Uma das funções dos cozinheiros profissionais é aconselhar, ensinar e guiar as pessoas para recuperarem esse pilar da nossa cultura, que é a boa alimentação‘‘, diz o chef, um dos responsáveis pelo banquete de gala que a família real espanhola ofereceu a 400 pessoas, na véspera do casamento do príncipe Felipe com a jornalista Letizia Ortiz, em maio de 2004.
  Em forma de caderno, o livro tem 125 páginas e 22 capítulos. O primeiro refere-se aos utensílios e dá dicas sobre o que se deve ter em casa. Depois, vêm doces, guisados, molhos, conservas, massas, coquetéis, carpaccios, sashimis e café da manhã. Muitas receitas são à base de produtos comuns na Espanha, como mariscos e costeletas de cordeiro.
  O livro não está à venda em livrarias, só na internet ([email protected]). As receitas mostram que pratos simples não excluem a criatividade. Nos coquetéis, ele sugere picolé de caipirinha e piña colada (espécie de batida de coco e abacaxi), congelada e servida em bolsinhas de plástico refrescantes. De sobremesa, pãezinhos com bombom, azeite e sal. Ou café com gelo, no fim das refeições, no verão.
Fila de um ano A fama de alquimista da culinária vem do fato de Adriá investir num laboratório de sabores para testar misturas inusitadas nas criações para seus restaurante, o El Bulli, em Girona, na Catalunha, que fica aberto seis meses por ano (de abril a setembro), ganhou três estrelas do guia Michelin. As reservas são feitas por fax (00xx34 972150717) ou e-mail ([email protected]) no início do ano. Reservas pelo telefone não estão disponíveis. O El Bulli recebe um milhão de pedidos de reserva por ano, dos quais apenas oito mil são confirmados.
  Não há cardápio e sim um menu-degustação a 135 euros, variável a cada temporada, com cerca de 30 miniporções. Os garçons instruem os clientes a degustar cada prato. Sua cozinha ficou conhecida como a da desconstrução: a caipirinha e a sopa são sólidas, os croquetes são líquidos, a paella é servida em grãos.
  A fama de Adrià, que foi capa da revista do The New York Times, aumentou quando ele aromatizou frascos dos azeites Borges (que já chegaram ao Brasil) e inventou sabores para o café Lavazza. O chef abriu uma loja de sanduíches chamada Fast Good, numa das esquinas do NH Eurobuilding (entrada pela Calle Padre Damián), no centro de Madri. O espaço inclui área para relaxar, conversar, ver televisão e navegar pela internet, com música e lounge em cores cítricas. Serve café da manhã, aperitivo, almoço e jantar. No cardápio, hambúrgueres, sanduíches, saladas e sucos. Os preços giram em torno de 15 euros por pessoa. O chef da moda é uma máquina de criação. Os que adoram comer bem agradecem.

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