Um, dois, três
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 09 de agosto de 2007
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Quem já tem filhos afirma que cada criança é um ser muito particular. Embora sejam criados na mesma família, cada um tem seu temperamento e é sempre uma experiência diferente recebê-los. Pais de um, dois ou três filhos contam os desafios e as vantagens de se passar em cada uma das situações
Pai de primeira viagem
O administrador Rodrigo César Kasecker, 35 anos, sempre quis ter filhos, mas a chegada do primeiro estava programada somente para o ano que vem. Quando soube que a esposa, Roberta Nakama Kasecker, estava grávida, ele não acreditou. Foram três momentos muito especiais na minha vida: a notícia da gravidez, o primeiro ultra-som e o nascimento, conta.
E desde a gestação, ele fez questão de participar de tudo o que envolvia a pequena Mariana, hoje com um ano de idade. Acompanhei todas as consultas da Roberta e, depois que Mariana nasceu, sempre ajudei. O primeiro banho fui eu quem deu, acordava de madrugada para dar a mamadeira, hoje dou comidinha na boca, troco as fraldas, garante.
Para aprender a lidar com a novidade de criar um bebê, ele diz que se informava. Para o primeiro banho perguntei para a enfermeira como deveria fazer. As outras dúvidas eu tirava com amigos que já tinham filhos. Achei tudo muito tranqüilo, afirma
Graças aos horários flexíveis no trabalho, ele pode acompanhar a evolução da filha, e lembra da importância que isso tem. Cada dia da vida da Mariana tem uma novidade e se eu não estiver perto vou perder o momento. Quando viajo ou estou fora de casa morro de saudades e penso nela o tempo todo, diz.
E a menina, segundo a mãe, retribuiu a dedicação do pai. Ela falou papai antes de falar mamãe, conta. Se a família vai aumentar? Rodrigo garante que sim. Quero ter mais filhos. Cada noite que passei acordado com a Mariana valeu apena.
Pai de segunda viagem
A vida da família do médico Carlos Eduardo Sanches Vaz, 39 anos, foi toda programada. Ele se casou somente quando terminou todos os estudos e esperou sete anos até ter o primeiro filho, Eduardo, 3 anos. Eu e minha esposa escolhemos a época certa, quando já tínhamos estabilidade no trabalho. Fizemos isso porque queríamos ter tempo para ficar com nosso filho, explica.
Mas nem toda o planejamento livrou o ortopedista das preocupações comuns do primeiro filho. Acho que em função da minha profissão, eu sabia dos riscos. Fiquei meio neurótico com segurança e saúde, admite. Quando ele chorava, corria para atendê-lo, tinha medo de pegar no colo. Já com a chegada da filha caçula, Gabriela, 1 ano, as preocupações foram outras. Muita gente diz que a chegada de irmão causa ciúmes no mais velho. Queríamos evitar isso porque nosso plano foi ter as dois filhos com idades próximas um da outro para que fossem amigos. Preparamos muito o Eduardo para receber a irmã, conta.
Para evitar problemas, Carlos diz que trata os filhos de maneira igual. Procuro passar bastante tempo com os dois. Meu consultório é na esquina de casa. Almoço com eles todos os dias. Fazemos programas semanais com a família toda. Percebo que assim eles ficaram bem amigos, diz.
O médico garante que a família não vai mais crescer, e que dois filhos é um número ideal para ele e a esposa. Assim, cada um tem um irmão para conviver e nós podemos dar boas condições para ambos, argumenta.
Pai de terceira viagem
O empresário Rodolfo Montosa, 40 anos, só não teve quatro filhos porque a esposa não aceitou. Teve que parar no terceiro. Sempre quis ter quatro crianças e minha mulher queria duas. Então ficamos com três. Eu tenho dois irmãos e gosto de família grande, de casa cheia, da movimentação de amigos chegando, explica.
Depois de cinco anos de casamento, chegou a primeira, Ana Beatriz, 13 anos. Já no ano seguinte nasceu a segunda, Giovana, 12. Não planejamos sua vinda tão cedo, mas foi uma alegria muito grande. O lado bom do segundo filho é que as preocupações diminuem, a gente já sabe o que fazer. O difícil é que você precisa dar atenção para duas crianças, diz ele.
Três anos depois, a terceira gestação, e Rodolfo admite que desejou que fosse um menino. Queria ter um companheiro para jogar futebol. Foi uma ótima surpresa a chegada do Gustavo, 9 anos, lembra.
Com três crianças na casa, a dificuldade era lidar com o ciúme e com o colo. Quando são dois, o pai carrega um e a mãe, outro. Com três é preciso ser malabarista. Mas é uma delícia a bagunça, principalmente nas viagens e festas. Minha sorte é que minha esposa é pediatra e não precisamos nos preocupar tanto nesse aspecto, brinca.
Momentos em família é o que não faltam na rotina da família. Rodolfo afirma que viaja com os filhos a cada semestre e procura estar com eles sempre que possível. Gostamos de sair para comer fora ou então ficar em casa cantando e tocando música. Também me arrisco na cozinha e faço alguns pratos para eles. Além disso procuro transmitir valores religiosos para os três. Todos os dias temos um momento de oração. Isso ajuda a manter a amizade entre todos nós, comenta.
E o exemplo de muitos filhos parece que contagiou as meninas da família. Gosto de ter dois irmãos e, quando me casar, quero ter quatro filhos para ficar sempre com a casa cheia, afirma Giovana. Quero ter três filhos. Acho um número bom, completa Ana.


