Um dia para não esquecer
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quinta-feira, 24 de maio de 2001
Da Redação 
Cerca de 30% a 35% da população dos países industrializados sofrem de alergia, e a estimativa é de que até a metade deste século essa porcentagem ultrapasse 50%. Alguns estudos têm sugerido que o aumento das doenças alérgicas seria consequente ao progresso e ao desenvolvimento industrial. Com o objetivo de alertar a população sobre os problemas alérgicos e o que eles causam na qualidade de vida das pessoas, a Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia (SBAI) realiza hoje, Dia Nacional de Prevenção da Alergia, eventos educativos em 64 cidades brasileiras. Essa campanha, a partir deste ano, também tem a adesão da Associação Colombiana de Alergia e Asma, na Colômbia.
Em Londrina, o evento será realizado na Associação Médica, onde especialistas estarão à disposição da população para esclarecimentos sobre doenças alérgicas e haverá distribuição de material educativo sobre alergia. O evento londrinense é coordenado pelo médico especialista Luiz Alberto Scripes, membro da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia.
A exemplo dos anos anteriores, a terceira campanha do Dia Nacional de Prevenção da Alergia pretende também alertar as autoridades de saúde sobre o aumento da mortalidade por algumas doenças alérgicas, principalmente a asma, que acomete, em média, cerca de 10% da população brasileira, sendo considerada um problema de saúde pública. Sua morbidade e mortalidade vêm aumentando em todo o mundo, mesmo com todo o avanço em seu diagnóstico e tratamento.
No Brasil, o desconhecimento da doença, a falta de implementação de programa nacional de prevenção adequado e a dificuldade de acesso aos serviços médicos especializados contribuem para que cerca de 2.500 pessoas morram em crise de asma anualmente.
Rinite Por ano, mais de 50 milhões de americanos sofrem de doenças alérgicas, incluindo rinite, sinusite, dermatites, asma, alergia alimentar e outras. Além do prejuízo na qualidade de vida dos pacientes, essas doenças representam custos para o governo americano de 18 bilhões de dólares anualmente, segundo estimativas da Academia Norte-Americana de Alergia, Asma e Imunologia, afirma o médico alergista e um dos coordenadores da terceira Campanha de Prevenção da Alergia, Clóvis Galvão, do Hospital do Servidor Público Estadual (IAMSPE).
A rinite alérgica, outra doença respiratória de fundamental importância no contexto atual, acomete por volta de 60 milhões de brasileiros, traz custos expressivos para o indivíduo e para o país, além de prejudicar consideravelmente a qualidade de vida. Com a chegada do outono/inverno, vários fatores contribuem para a piora das doenças alérgicas: as mudanças climáticas bruscas, o aumento da poluição pela inversão térmica característica desse período, o aumento da frequência de infecções virais respiratórias e o uso de cobertores de lã e vestimentas que acumulem pó.
Estudos recentes têm mostrado uma relação entre a poluição em ambientes fechados e a incidência de doenças respiratórias. Um desses estudos sobre a poluição de ambientes fechados, realizado em São Paulo, no inverno do ano passado, com 1.400 funcionários de instituições privadas, mostrou que 30% a 40% apresentaram manifestações alérgicas relacionadas ao ambiente de trabalho, afirma Gustavo Graudenz, em sua tese de pós-graduação da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Em ambientes fechados respiramos substâncias tóxicas, bolores, ácaros e bactérias que ficam acumuladas em aparelhos de ar-condicionado, carpetes, cortinas e locais com conservação inadequada.
Embora o ácaro da poeira ainda seja o alérgeno mais importante nas crises de alergia em nosso meio, especial atenção tem sido dispensada a outros possíveis desencadeantes como a barata. Estudos recentes demonstraram que no Brasil a barata pode ser responsável por até 54% de sensibilização, refletindo mais que condições sócio-econômicas, as condições de higiene da população.


