Em tempos politicamente corretos, o ato de acender um cigarro em público não tem mais nenhum glamour a não ser que o isqueiro usado seja um Zippo. Um dos ícones da cultura americana, ao lado de marcas como Harley Davidson, Coca-Cola e McDonald's, o Zippo completa este ano o 70º aniversário provando que sua chama, celebrizada pelo fato de ser resistente ao vento, também é à prova de tempo.
Dos campos de batalha da 2 Guerra Mundial, onde eram usados pelos soldados para esquentar comida nos capacetes, os isqueiros Zippo foram para os estúdios de Hollywood acumular um currículo de causar inveja a qualquer estrela. Afinal, que ator seria bastante versátil para, depois de fazer a fama nas mãos dos detetives do cinema noir da década de 40, atuar ao lado de Clint Eastwood e Meryl Streep em ''As Pontes de Madison'' ou de John Travolta em ''Pulp Fiction''? Aliás, o Zippo também foi visto tamborilando nos dedos do ator brasileiro Edson Celulari, em ''A Ópera do Malandro''.
A vitalidade da marca criada em 1932 por George Blaisdell, mais conhecido como Mr. Zippo, permitiu ao atual fabricante comemorar a longevidade com a diversificação da linha de produtos: até o fim do mês chegam ao Brasil os óculos Zippo, desenvolvidos e testados no mercado italiano e agora disponíveis em todo o mundo. As novidades chegam às lojas já acompanhados de uma linha de acendedores de formato mais alongado que o dos isqueiros , mantendo o velho logotipo, que traz uma chama na letra 'i'.
Objetos de desejo ''A Zippo está entrando numa nova fase'', anuncia o importador dos produtos no País, Alberto Gomes de Araújo, da Victorinox do Brasil. Isso mesmo. Quem cuida da distribuição dos famosos isqueiros, por aqui, é o mesmo grupo que vende os igualmente tradicionais canivetes e relógios suíços. A esses produtos se juntam outros objetos de desejo masculino, como os binóculos e telescópios Tasco e Bushnell, as lanternas Mag Lite e as facas Böker.
Também fã incondicional dos isqueiros ''queridinhos da América'', Araújo sabe contar, por exemplo, de onde veio a inspiração de Blaisdell para criar o produto. ''Em 1932, ele estava saindo de um clube com um amigo austríaco, que acendeu um horrível isqueiro de duas peças fabricado em seu país, sob a alegação de que, embora feio, o objeto funcionava bem. Então Blaisdell pensou: 'por que não fazer um isqueiro que funcione bem e seja bonito?'', conta.
Como todo importador, Araújo enfrenta problemas com a pirataria, o contrabando, a carga tributária e, mais recentemente, a alta do dólar. Mas nada disso impediu que o Zippo se tornasse um sucesso de vendas também no Brasil, onde 100 mil unidades foram comercializadas no ano passado. Em todo o mundo, mais de 300 milhões de unidades foram comercializadas até hoje, mas Araújo calcula em cerca de um milhão o número de isqueiros existentes no País, já que a entrada legal só foi permitida na década de 90. Hoje, o Zippo é vendido em mais de 1,4 mil pontos-de-venda brasileiros, que vão das mais requintadas tabacarias a bancas de jornais.
''O preço de um Zippo no Brasil, a partir de R$ 80 no varejo, é quase o dobro do que é cobrado nos EUA, mas, mesmo assim o consumidor se mantém fiel'', diz o importador, acrescentando que a novidade do momento, os óculos, vai chegar às lojas por cerca de R$ 250, em 50 modelos diferentes. ''Infelizmente, estamos atingindo uma faixa de público que representa apenas 4% da população brasileira.''
Clube Apesar disso, já existe uma legião de fãs do isqueiro setentão no Brasil, e uma prova disso foi a fundação, em março, do Clube do Zippo, que tem 400 colecionadores cadastrados. O grupo é presidido pelo empresário Cosme Pontes, dono de uma pequena, mas seleta, coleção de 20 isqueiros que inclui o que recebeu de herança de seu avô e o que traz estampada uma esfinge, do filme de ficção científica ''Stargate'' é verdade, o Zippo também atuou nessa produção entre outras.
''Temos entre os sócios gente de 16 a 35 anos, o que mostra que a marca ainda tem um forte apelo entre os jovens'', diz Pontes. Para os interessados em saber mais sobre o isqueiro que virou mito, a home page do Clube do Zippo é um bom começo (www.tlnet.com.br/clube). n

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