Um brasileiro em Paris
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quinta-feira, 05 de julho de 2007
France Presse 
Paris O estilista brasileiro Gustavo Lins apresentou na terça-feira, em Paris, sua coleção de alta-costura para a temporada outono-inverno 2007-2008, uma brilhante demonstração de seu talento em construir uma ponte entre moda e arte.
O desfile desse arquiteto mineiro, que decidiu se dedicar à moda, foi saudado com fortes aplausos e gritos de bravo do público. Sua coleção foi apresentada na Galeria Joyce de Paris e no portal do Palácio Real.
Depois do desfile, Lins apresentou bustos em porcelana, nova versão dos manequins do Desfilo Estático que mostrou na temporada passada, quando ingressou no fechado círculo da Câmara Sindical da Alta-Costura da França. Esta é sua maneira de ligar arte e moda. O que faço com os tecidos também é escultura, disse o artista brasileiro.
Nos modelos de Lins, os tecidos se tornam espirais e se transformam. O couro e o tecido esculpidos com pespontos combinam sua força com a suavidade da musselina e da seda. O colarinho se cruza nas costas para se transformar em mangas. A lapela se transforma em xale e cai até se confundir com a barra da saia.
As cores são predominantemente escuras preto, cinza, chumbo, azul-escuro, bronze com toques de verde-anis, marfim, rosa-claro e alguns modelos de cinza mais suave. Apenas uma nota de vermelho aparece em um paletó de couro de mangas curtas.
Evocar um estilo não me interessa. Para mim, uma coleção é uma viagem em torno do corpo, afirma Lins, que reivindica uma cultura mestiça, entre sua formação européia e sua nacionalidade brasileira, com todas as influências que vêm da história da América Latina.
No mesmo dia, Christian Lacroix deslumbrou e emocionou os convidados com o desfile que marca o 20º aniversário de sua maison. A coleção, tida como a quintessência de seu estilo, foi fortemente aplaudida: inspirações orientais, tafetá, seda, veludo, plumas, volumes e até um vestido de noiva amarelo, feito de patchwork e flores multicoloridas.
De vez em quando, eu gosto que a alta-costura seja um pouco impressionante, um pouco emocionante, declarou Christian Lacroix, ao terminar o desfile. Precisamos deste tipo de intercâmbio, imagens poéticas que podem emocionar, mas que continuam na realidade em algo que é comercial, acrescentou.
Karl Lagerfeld, por sua vez, desenhou para a Chanel silhuetas de mulheres-aves, que destacam plumas nas mangas dos vestidos de tweed. Os tradicionais óculos de sol desfilaram com trajes de noite.


