Um ato de amor
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de abril de 2002
Celso Mattos 
Amamentar, além de ser saudável, também é um ato de amor. No entanto, muitas mães, mesmo desejando alimentar seus filhos com o leito materno, são impossibilitadas porque não possuem leite suficiente para sustentar o recém-nascido. Essas mães dependem da colaboração de outras mães que têm de sobra aquilo que lhes falta: o leite materno.
O caminho mais curto e indicado para resolver esse problema é o Banco de Leite Materno do Hospital Universitário (HU), o único de Londrina. A enfermeira Márcia Maria Benevenuto de Oliveira, coordenadora do órgão, explica que as mães que estão amamentando e têm leite sobrando, podem doar o restante para os recém-nascidos que estão nas UTIs neonatais precisando desse alimento.
Basta a mãe ligar para o Banco de Leite, que nossa equipe vai até à casa dela, leva os frascos esterilizados e a orienta como coletar e armazenar o leite. Depois, a equipe passa lá periodicamente para pegar os frascos congelados, informa. Márcia Maria acrescenta que a filosofia principal do Banco de Leite Materno é incentivar as mães a amamentarem seus filhos, mas existem aquelas que por algum motivo não podem e precisam de doação. Assim, o órgão faz o trabalho de incentivar outras mães a doarem seu leite.
As mães que preferirem podem ir diretamente ao Banco de Leite para realizar a coleta. Mas como muitas têm problema de locomoção, acaba ficando mais fácil nós irmos até a casa delas, diz a enfermeira. O leite coletado passa por um processo de pasteurização para eliminar possíveis bactérias e doenças transmissíveis.
O leite materno coletado pelo Banco é distribuíndo para as UTIs neonatais dos hospitais de Londrina e região. São crianças que nascem com baixo peso, com problemas de imunidade, que apresentam alergia ao leite de vaca, desnutridos graves e gemelares, informa Márcia Maria. Atualmente, estamos com estoque suficiente para, no máximo, uma semana, acrescenta.
Ela conta que o Banco já teve 180 doadoras; hoje está com 100 e precisa aumentar o estoque de leite, que está no fim. Fomos muito prejudicados pelos seis meses de greve, pois não tínhamos pessoal para a coleta, justifica. A enfermeira diz que todas as mães sadias podem ser doadoras.
A coordenadora do Banco de Leite aproveita para fazer uma homenagem às mães que mais doaram leite nos últimos meses: Rosana Teixeira Almeida, 144 litros em quatro meses; Clóris Almeida Júlio, 50 litros em dois meses; Alessandra Santos da Silva, 65 litros em três meses. As mães que desejarem ser doadoras podem ligar para o fone (43) 371-2390.


