A educação financeira não tem apenas o objetivo de formar profissionais bem sucedidos e experts em negócios. Esse aprendizado também é fundamental para semear valores que podem definir o caráter de uma pessoa. ‘‘E são nas pequenas coisas do dia-a-dia que se transmite conceitos fundamentais’’, diz a psicóloga Maria Rita Soares, avisando que este papel não pode ser somente da escola. ‘‘É muito importante que os pais se envolvam porque os valores morais vêm da família’’.
Segundo a psicóloga, cabe aos pais ensinar aos filhos que as coisas que têm valor não são apenas aquelas relacionadas ao dinheiro. ‘‘E que se você pode ter alguma coisa e o seu amigo não, você não é melhor que ele por isso’’, ressalta. Incentivar as crianças a analisar o preço do brinquedo desejado também é outra função familiar. ‘‘Desde pequeno é que se deve começar a lidar com as frustrações e a aprender que não se pode ter tudo o que se quer’’, ensina.
Caso contrário, as consequências não demoram a vir. ‘‘Crianças que têm tudo com facilidade se tornam adolescentes que não valorizam o que têm e adultos com dificuldades não só de lidar com dinheiro, mas também com a afetividade. A tendência é terem relacionamentos sem maturidade, porque não sabem ceder, abrir mão das coisas’’, adverte Maria Rita.
Para a cientista política Cássia D‘Aquino, é justamente na capacidade de adiar os desejos de agora em função de futuros benefícios que se traduz a maturidade financeira, um exercício a ser praticado desde os primeiros anos de vida. Pioneira no Brasil na elaboração do projeto de educação financeira que vem sendo aplicado nas escolas privadas e públicas, ela mantém o site www.educfinanceira.com.br, no qual dá informações preciosas para pais e educadores. Entre os assuntos abordados, como e quanto dar de mesada, como ensinar os pimpolhos a poupar, a valorizar o dinheiro e o trabalho dos pais.
No site, Cássia também responde às principais dúvidas familiares. Uma das mais frequentes é como trabalhar com educação financeira sem que as crianças cresçam supervalorizando o dinheiro. A cientista política responde com a clareza de quem é expert no assunto: ‘‘A partir do momento em que o dinheiro passa a ser visto com clareza e tranquilidade – porque estamos bem informados sobre ele – todas as outras questões subjacentes (valores, ética, sentimentos) se resolvem por si mesmos. É para isso que serve a educação financeira, para ensinar a exata medida da importância e da atenção que o dinheiro merece’’. (R.V)

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