Um sol convidativo. É o que o verão brasileiro sempre oferece, principalmente para quem quer manter a pele bronzeada. Mas, e para quem quer aproveitar uma praia ou piscina o dia todo, incluindo aqueles horários proibidos, sem agredir a pele? A solução é o protetor solar fator 60, 100, certo? Errado. Apesar dos dermatologistas divergirem quanto a eficiência no fator de proteção solar (FPS), há um consenso entre os profissionais de que o filtro solar não é passaporte para se expor aos raios solares; respeitar os horários do sol mais fraco, considerado saudável, é fundamental.
  Até hoje, o fator de proteção solar é motivo de questionamento entre alguns especialistas. Há os que recomendam não sair de casa sem o protetor, utilizando o produto inclusive dentro de ambientes fechados e em dias chuvosos. Outros desaconselham o uso, se a tonalidade da pele for mais escura, argumentando sobre os benefícios do sol. Nesse bombardeio de informações, em que as indústrias farmacêuticas exercem grande influência, o consumidor fica sem saber como agir e qual fator de proteção utilizar.
  Fatores 15, 30, 60, 75 ou 100? Quanto mais alto o grau de proteção, mais caro o produto. E estamos falando de preços altos mesmo. Mas, e a eficiência desses produtos? Quem compra o fator 100 está realmente protegido dos efeitos nocivos do sol? A reportagem da FOLHA da SEXTA conversou com dois dermatologistas em Londrina, que defendem o uso do protetor solar, um deles, com várias ressalvas.
  As restrições são feitas pelo dermatologista Walter Campos, que, em 30 anos de profissão, desaconselha o uso do filtro solar para pessoas de pele do tipo 3 (identificadas como peles com pigmentos e descendência de índio e caboclos), 4 (mulatos) e 5 (negros). ‘‘Essas pessoas não precisam do protetor porque o organismo já apresenta defesa, através da melanina, célula protetora natural da pele. Somente pessoas de pele muito clara e olhos claros, precisam de protetor’’, argumenta.
  Essas peles, identificadas pelos tipos 1 e 2, segundo o dermatologista, devem ser protegidas. ‘‘É importante frisar que o protetor solar é uma grande arma, uma grande descoberta, que veio dar condições para as pessoas de peles mais claras poder gozar dos benefícios do sol nos horários permitidos. Pessoas de pele e olhos claros jamais poderiam se expôr ao sol depois das 10 horas. Elas passaram a ter o privilégio de exercer suas profissões ou atividades com o uso do filtro solar’’, afirma Campos.
  Outra ressalva feita por Walter Campos é com relação ao fator de proteção indicado no produto. Ele é taxativo ao afirmar que acima do FPS 30 não existe benefício extra nenhum para quem utiliza o filtro. ‘‘Até o fator 30, a pele estará bem protegida. Acima disso, é apenas um custo a mais, além de impedir a absorção da parte benéfica do sol’’, afirma. Os preços, segundo Campos, são altos devido a princípios ativos importados. O dermatologista argumenta que o fator de proteção 100 só é indicado para pessoas albinas, com ausência total de melanina.
  O dermatologista critica o grande apelo comercial das empresas farmacêuticas, que ‘‘precisam vender os produtos’’. ‘‘Muitos profissionais indicam determinadas marcas de protetores com fatores altíssimos, que acabam servindo apenas como hidratantes. Matérias publicadas na grande mídia são patrocinadas por empresas farmacêuticas que querem vender. Mesmo num país tropical como o nosso, pessoas com pele escura não têm necessidade nenhuma de proteção. Além disso, um trabalhador que recebe um ou dois salários mínimos não consegue manter os gastos com o uso do filtro solar’’, defende, relembrando que a roupa também é um fator físico de proteção do corpo.
  Entre os benefícios do sol, o dermatologista ressalta que a tão temida radiação ultravioleta é responsável pela conversão das vitaminas A, D, K e E (veja infográfico), fundamentais para o organismo. ‘‘Se não deixarmos o sol agir no nosso organismo, o corpo fica com déficit de vitaminas, que são ativadas com a incidência do sol’’. A orientação, segundo Walter Campos, é que pessoas se exponham diariamente de 15 a 20 minutos ao sol, sem protetor, no período das 6 às 9 horas. ‘‘Esse sol faz bem para a saúde’’. Das 10 horas às 16 horas, o sol é contra-indicado.

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