TURISMO - Inhotim: ver para crer
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Karla Matida<br>Reportagem Local 
É fato que o repertório turístico de Minas Gerais é um dos mais ricos do Brasil. Das cidades históricas lideradas por Ouro Preto à capital Belo Horizonte, o estado oferece as mais variadas opções para o visitante, incluindo a saborosa culinária típica. Mas desde 2006 os mineiros podem se orgulhar de ter também um dos endereços mais surpreendentes do País. Inaugurado há oito anos, o Instituto Inhotim encanta brasileiros e estrangeiros. Até o ano passado, mais de um milhão e oitocentos mil visitantes passaram por lá.
Misto de centro de arte contemporânea e jardim botânico, o Inhotim é um espaço sem igual em qualquer outro lugar do mundo, tanto em conceito quanto em proporção. Uma das primeiras diferenças é que o Instituto não está em uma grande capital e sim em Brumadinho, cerca de 60 quilômetros de Belo Horizonte e com 34 mil habitantes. A cidade ganhou não só o vaivém de turistas, que chegam de todos os cantos, como também se beneficia das ações para o desenvolvimento social promovidas pelo Inhotim. Além disso, os moradores são grande maioria entre os funcionários.
Idealizado pelo empresário Bernardo Paz, o Inhotim começou a se desenhar em meados dos anos 1980, com o início do projeto paisagístico e da coleção de arte contemporânea. O nome, sem tradução, já era recorrente na região, por conta do primeiro proprietário da então fazenda. Há quem diga que o inglês Tim deixou de ser chamado de mister e não passou pelo formal senhor. Virou logo o Nhô Tim, no linguajar local.
Dois outros nomes também foram essenciais na concepção do Inhotim: o paisagista Burle Marx e o artista plástico Tunga. O reconhecimento veio no batismo do Centro Educativo Burle Marx e na maior galeria de arte do mundo dedicada a um único artista vivo, o pernambucano Tunga. Foi dele a sugestão para que Paz desse início à sua coleção de arte contemporânea. A Galeria Psicoativa Tunga foi inaugurada em 2012.
Uma verdade: por mais que se tente descrever em textos e fotos, só mesmo uma visita pode dar a real dimensão do que é o Inhotim. Estar lá, vivenciar a experiência, é realmente imprescindível. As galerias, são mais de 20, estão espalhadas pelos jardins, muitas vezes escondidas pelas plantas. É um passeio para, no mínimo, dois dias e as distâncias são longas. Para quem tem pouco tempo ou pouco fôlego, a dica preciosa é pagar o extra pelo transporte interno, feito em carrinhos elétricos. Mas use o recurso com parcimônia, perder-se pelo caminho é uma das delícias do passeio.
Os 140 hectares do Inhotim estão inseridos em porção florestal remanescente de Mata Atlântica e Cerrado e a esse número se soma ainda uma área de 145 hectares de Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN), que está, desde 2010, determinada a colaborar de forma vitalícia para a conservação da biodiversidade conectando o Inhotim ao sul da Cadeia do Espinhaço. Com uma das maiores coleções de imbés, antúrios e copos-de-leite do mundo, o Inhotim tem aproximadamente cinco mil espécies, sendo que mil são de palmeiras. Desde 2010, o Inhotim passou a ser reconhecido como Jardim Botânico.
Em um artigo de 2009, o empresário Bernardo Paz escreveu que "Não sei qual vai ser o próximo passo. Isto aqui não se acaba. Aqui sempre será". E é o que vem acontecendo. Novas galerias são inauguradas, exposições temporárias são abertas e, principalmente, os jardins se modificam a cada estação, convidando o visitante a voltar mais vezes.
Para quem quer levar um pouco do Inhotim para casa sem prejudicar a natureza, duas lojas dão conta do recado. Além de souvenires com a marca do Instituto, também é possível comprar cerâmica produzida in loco e algumas espécies de plantas. Até mesmo as criações de Hugo França estão à disposição na loja botânica. O designer assina os cerca de 150 bancos de pequi-vinagreiro espalhados pelo Inhotim nos mais variados tamanhos e formatos.
Saiba mais
Inhotim
Horário de visitação: terças, quartas, quintas e sextas-feiras, das 9h30 às 16h30. Sábados, domingos e feriados, das 9h30 às 17h30. Às quartas-feiras (exceto feriados) a entrada é gratuita. Terças e quintas-feiras, R$ 25. Sextas, sábados, domingos e feriados, R$ 40. A meia-entrada é válida para estudantes identificados e maiores de 60 anos. Crianças de até 5 anos não pagam.
Como chegar
De ônibus - Saída da Rodoviária de Belo Horizonte de terça a domingo, às 8h15, e retorno às 16h30 durante a semana e 17h30 aos finais de semana e feriados.
De carro - Acesso pelo km 500 da BR-381 sentido BH/SP, cerca de 1h15 de viagem. Ou pela BR-040 (aproximadamente 1h30 de viagem) sentido BH/Rio, na altura da entrada para o Retiro do Chalé.









