Chegar em Montréal após doze horas de viagem é uma experiência única, especialmente para quem nunca foi tão longe de casa. Durante 15 dias fiquei hospedada com a família Kassatly - a "família de acolhimento" como costumam chamar nos programas de intercâmbio. Coube à anfitriã Sola Kassatly mostrar-me a casa e deixar bem claro que ali existem regras. "Se um dia eu não gostar de algo que você fizer eu vou lhe dizer, mas peço que não se chateie por isso." Poucos dias foram suficiente para compreender que sinceridade e objetividade fazem parte da cultura canadense. Ali os diálogos têm começo, meio e fim, evitando margem para "interpretações abertas". Isso é particularmente fascinante, por isso, talvez, o tempo todo tenha-se a sensação de que naquele país tudo funciona: economia, transporte, serviço, atendimento, etc.
No primeiro dia a caminho da escola impressionei-me com a multiculturalidade da cidade. O metrô é a principal amostra disso, basta entrar num vagão para ouvir ao mesmo tempo o francês, o inglês, mas também o árabe, o espanhol, o japonês e outras infinidades de línguas. A presença de imigrantes é tão intensa que hoje eles compõem uma parcela de pouco mais de 30% dos quase 2 milhões de habitantes. Vale salientar que Montréal é também uma vila anglofona, o que faz com que seus moradores passem com extrema facilidade do francês para o inglês.
É no metrô que também se nota um dos (excelentes) hábitos do canadense: a leitura. Durante o trajeto, pelo menos 70% das pessoas concentram-se sobre algum livro, revista ou jornal.

Andanças
Estar em Montréal é simplesmente fascinante. A cidade tem ares cosmopolita e bucólico ao mesmo tempo. Segunda maior metrópole canadense depois de Toronto, Montréal concentra também a segunda maior população francófona do mundo, atrás apenas de Paris. As construções monocromáticas em estilo europeu dão realmente a impressão de estarmos num pedacinho da França.
O charme fica por conta principalmente dos inúmeros cafés, bistrôs e pâtisseries que se alinham pelas ruas impecáveis da cidade, sobretudo no Plateau Mont-Royal, um dos bairros mais badalados da cidade. Neles é possível degustar croissants, muffins, gâteaus (bolos), tudo acompanhado de café, mocca, cappuccino, latte, chocolate quente ou chá. Aliás, nos dias frios é comum ver as pessoas caminhando na rua com copos de bebida quente.
Novembro é o mês de passagem para o inverno e é no final dele que começam a cair os primeiros flocos de neve. Para turistas que nunca viram neve na vida (como eu!), o desejo é ficar o tempo todo na rua. Mas, mesmo sob o frio glacial, os canadenses mantêm atividades habituais como pedalar e praticar esporte nos parques da cidade.

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| Foto: Fotos: Gina Mardones
Segunda maior metrópole canadense, Montréal tem ares cosmopolita e bucólico ao mesmo tempo
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Grand Bibliotéque Nacional du Québec
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Parada de Santa Claus pelas ruas de Toronto
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