Turbilhão de idéias
Rosângela Vale
Materiais diferenciados e interpretações variadas dão o tom às criações selecionadas para a terceira etapa do Concurso Novos Talentos da Moda Paranaense
Era uma vez uma bela índia tapuia prometida à Peruda, o deus serpente que vivia no fundo do Rio Iguaçu. Naipi era seu nome. Apaixonada pelo guerreiro Tarobá, foge com ele pelas águas do rio, esperando que depois da travessia pudessem viver esse amor proibido. Furioso, Peruda racha o rio ao meio, fazendo as águas desmoronarem no grande penhasco com um estrondo infernal. A trágica sina dos amantes foi eternizada na paisagem deslumbrante: Tarobá se transformou no rochedo que divide o turbilhão de águas e Naipi hoje é Iara, a sereia que habita rio que forma as Cataratas do Iguaçu.
A lenda que explica de forma poética o surgimento do mais belo cartão-postal do Paraná - encontrada em versões diferenciadas em relação a nomes de personagens e ao destino de Naipi - foi a inspiração para a terceira etapa do Concurso Novos Talentos da Moda Paranaense, que conta com 12 classificados entre 57 inscritos. Eles vêm de partes diferentes do Estado. São profissionais da área e alunos do curso de Estilismo em Moda e Desenho Industrial da Universidade Estadual de Londrina (UEL), do curso de moda do Centro de Estudos Superiores de Maringá (Cesumar) e da Universidade Tuiuti, de Curitiba.
Cada um deles se baseou em trechos específicos da lenda. Mauro Marcos Martins Costa, do primeiro ano de Estilismo em Moda da UEL, por exemplo, trabalhou com o preto para simbolizar a fúria do deus e a morte dos índios: apresenta uma saia de penas pretas, um bolero (para representar o lodo do fundo do rio) e um body com cartões-postais das Cataratas do Iguaçu, o amor eternizado de Naipi e Tarobá na beleza sem fim do lugar.
Já Maria Cristina Martins Agostinho, aluna de moda do Cesumar, preferiu representar a tragédia da lenda atavés de rasgos circulares na saia, que também são uma referência as gotas de água das Cataratas. A cultura indígena fica evidenciada na maquiagem e nos acessórios dos braços. Carolina Laneu de Almeida, que cursa o terceiro ano de estilismo da UEL, traduziu as águas revoltas das Cataratas na saia formada por várias camadas de tule e filó.
O figurinista de teatro Eduardo Jacomini Martins, de Curitiba, usa a simbologia das cores - principalmente o verde e o vermelho - para representar a força e o poder do amor de Naipi e Tarobá. Cria um ser andrógino, ressaltando a existência de dois pólos: um vigoroso e outro suave. Para Marina Única Dias Moralez, professora de Desenho do Senac e pós-graduada em Moda, as lágrimas de desolação de Naipi se transformam em material reciclado (peti). O corpo é moldado com silicone, que ora simbolizam sua paixão por Tarobá, ora seu compromisso com Peruda. Estas e demais criações selecionadas poderão ser vistas no desfile, dia 9 de agosto, em Maringá, na abertura do evento Moda Paraná.
Os classificados
Ronaldo Silvestre Silva
Flávio Ito Kodani
Carolina Laneu de Almeida
Roseni Furlan Ribeiro
Mauro Marcos Martins Costa
Cristiane Modesto Ruiz
Marina Única Diaz Moralez
Aparecida Capelini Suzuki
Caroline Macedo
Eduardo Jacomini Martins
Maria Cristina Martins Agostinho
Clarissa Rodante





