Fotos: Marcos NegriniDanilo Angeli nem sentiu dor ao fazer quatro furos na orelhaTem gente que não sai de casa se não estiver usando um brinco na orelha. Outros usam até mais de um, como se o acessório fosse parte integrante da anatomia. Mas para a frustração de muitos, não é todo tipo de brinco que pode ser usado devido a problemas alérgicos. Mesmo assim, há quem se arrisque a uma inflamaçãozinha em nome da vaidade. Quais os cuidados que se deve ter ao furar as orelhas e qual o melhor método? Como evitar a alergia?
A médica dermatologista Sineida Ferreira recomenda que a escolha do profissional que vai esse serviço deve ser criteriosa. ‘‘É necessário rigor na assepsia e higiene para evitar contaminações e infecções indesejáveis’’, explica ela.
Embora as comissões de infecção hospitalar proíbam que se furem orelhas de recém-nascidos, ainda na maternidade, muita gente burla a vigilância e acaba encontrando um cúmplice para manter a tradição que passa de mãe para filha. ‘‘Geralmente, quem trabalha em berçário atende ao apelo das mães e acaba fazendo um furinho na orelha do beb꒒, conta uma enfermeira que prefere não se identificar. Esta é a melhor hora de furar a orelha porque o tecido do lóbulo ainda é molinho e o bebê quase não sente a furadinha. ‘‘Mas todo cuidado é pouco porque, com a perfuração do tecido, abre-se uma porta para entrada de germes e de bactérias num organismo sem imunidade. Por isso deve-se escolher bem o profissional’’, salienta a médica.
A dermatologista Sineida Ferreira alerta para os riscos de infecção ao se furar as orelhas
Agulha esterilizada As crianças maiores já sentem uma dorzinha, o que exige a aplicação de um anestésico local. ‘‘Para evitar complicações, o orifício pode ser feito com uma ponta de agulha descartável ou comum, esterilizadas com álcool ou com uma solução antisséptica à base de iodo. Depois de usadas, essas agulhas devem ser descartadas’’, alerta Sineida Ferreira.
Há ainda o revólver que perfura a orelha por impacto com o próprio brinco, mas este equipamento só deve ser utilizado por profissionais experientes. Segundo a dermatologista Sineida Ferreira, esse método não apresenta contra-indicações porque o equipamento não toca a orelha, apenas o brinco, que é esterilizado antes da perfuração.
Outro problema que ocorre com quem usa brincos é o da orelha rasgada. É comum crianças que usam argolas grandes e brincos maiores acabarem em pronto-socorro. E como o tecido do lóbulo não se refaz sozinho, neste caso é necessária uma cirurgia plástica de reconstrução.
Outro acidente frequente é quando se coloca uma tarracha de brinco muito pequena e ela acaba entrando no buraco da orelha. ‘‘Nesse caso, é necessário tirar a tarracha e fazer logo um curativo para evitar inflamação. Os brincos devem ser retirados com frequência para limpeza. Assim, previnem-se infecções e mau cheiro.
Ao furar a orelha deve-se verificar se o orifício será feito somente na região do lóbulo, onde não existem terminações nervosas nem cartilagens que, se perfuradas, podem causar condrite (inflamação ).

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