''Não existe festa sem brilho'', sentencia a bordadeira Suzy Rossetti , que há cerca de dez anos se vê rodeada de miçangas, canutilhos e, é claro, muito brilho. Na ciranda de tendências, entra ano, sai ano e o bordado das roupas de festa reina absoluto. E não é de hoje.
Que o digam as formandas, mães de noivas, madrinhas e até daminhas. Todas adoram um bordado. ''Aqui fazemos vestidos de festas o ano todo'', conta Conceição Gorini, da Chamaha. Mesmo assim, ela confessa que no final do ano, aumentam as encomendas. Daquelas que deixam tudo para a última hora às mais apressadinhas já tem gente que escolheu o modelo (há dois meses) para usar em fevereiro.
Para Esperanza Pelayo Strini, dona da confecção que leva seu nome, a fase atual de customização é uma boa pedida para elaborar ainda mais os bordados. ''Foi pensando em algo mais moderno e diferenciado que criamos o top amarelo (que ilustra a capa da Folha da Sexta desta semana)'', explica Esperanza. De acordo com a empresária, hoje busca-se o individualizado, tanto é que as suas clientes ajudam na criação das peças.
''Antes era mais limitado e só se usava bordado em festas, agora até durante o dia é possível usar'', ensina Esperanza. É só dar uma olhada nas araras das lojas para perceber que lantejoulas, miçangas e rendas enfeitam camisetas, antes básicas, e calças jeans. n

Truques com agulhas e linhas



Sempre que diz qual é a sua profissão, a bordadeira Genoveva Mortari Machado ouve o mesmo comentário: ''Mas você é tão nova!''. ''As pessoas imaginam que bordadeiras são sempre pessoas mais velhas'', explica. Há oito anos nos bordados, aprendeu os truques das agulhas e linhas com uma colega de trabalho. Genoveva era estilista e ficava encantada com o trabalho das bordadeiras. A paixão falou mais alto e Genoveva acabou trocando o lápis e o papel pelas pedrarias.
Mas a experiência na criação dos modelos ainda ajuda com os bordados. ''É que eu acabo riscando o desenho antes'', explica Genoveva, que segue o croquis da estilista da casa, mas contribui com palpites.
Filha de costureira, Suzy Alves Rossetti, mesmo sem saber costurar, foi direto à uma confecção sob medida quando precisou arrumar um emprego. ''Lá me disseram que eu tinha jeito para bordado logo eu que tenho a mão pesada'', lembra Suzy, que aprendeu o ofício na prática. Dez anos depois, ela passou de aprendiz à mestre e chefia outras sete bordadeiras.
''Ensino tudo o que eu sei; assim como alguém me ensinou, quero passar para outras pessoas'', garante. ''Adoro o que faço e por isso o final de semana, quando não tenho o que fazer, é uma tortura para mim'', conta Suzy, que até tentou fazer outro tipo de bordado além do que faz no trabalho. ''Mas não tive paciência com o ponto de cruz'', lembra. (K.M.)

Ficha Técnica:


Modelo: Isabela Capucho
Fotos: Paulo Wolfgang
Cabelo e Maquiagem: Júnior Martinelli
Locação: Escritório de Arquitetura Mônica Sciarra Mandelli

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