Com a invenção do videokê, os coreanos estão disseminando uma nova onda que está invadindo as casas noturnas brasileiras. As vendas no Brasil chegaram a 3.500 aparelhos em oito meses. O videokê é um aparelho audiovisual importado, e apresentado como uma evolução do conhecido karaokê. A diferença básica entre um e outro, é que o karaokê funciona usando-se disc-laser ou videolaser como base. Já o videokê possui um cartucho conectado ao aparelho.
Esta novidade eletrônica reproduz o som de fundo das músicas, exibe as letras e marca o ritmo num aparelho de TV ou telão. O candidato à intérprete tem seu trabalho facilitado, mesmo que não tenha um ouvido musical apurado.
Um cartucho com 200 canções brasileiras acompanha o videokê. Se o consumidor quiser um repertório maior, pode




adquirir mais de 600 músicas brasileiras e 200 americanas em cartuchos separados. Cerca de 50 novas canções são lançadas a cada mês. O som é digital, e pode ser feito o controle de ajuste para tom e ritmo, com a possibilidade de introdução de animação na TV. Os arranjos, no entanto, não primam pela variedade. Mas quem se importa com isso?
O que mais importa é a oportunidade de poder ouvir e ser ouvido, com som de boa qualidade. O efeito de uma noite de cantoria é o alívio das tensões do dia-a-dia, corpo e mente ficam relaxados e tranquilos. O efeito terapêutico da música tem eficácia direta no organismo. Quando utilizada como estimulante, a música tende a reforçar os processos rítmicos do corpo.
O som imortal dos Beatles embala um grupo de amigos que se rendeu à nova onda do videokꑑO velho ditado ‘quem canta seus males espanta’ é perfeito e funciona’’, reconhece a professora Elizabeth Casella. Ela e o marido, o comerciante José Henrique Casella, tornaram-se assíduos frequentadores de um videokê em Londrina. Juntamente com outros casais de amigos, eles formam um grupo animado, adeptos da musicoterapia. ‘‘Cantar virou um vício’’, diz José Henrique, que chegou ao local trazido por um amigo, que por sua vez também conheceu o lugar por indicação de outro amigo. É o chamado ‘‘arrastão musical’’.
Fazendo parte do mesmo grupo, o casal Enias e Elisabete Pólvora se sente à vontade com o microfone na mão. ‘‘É um local para quem não é cantor. A gente vem aqui para se distrair, cantar sem preocupação, pois não há cobrança’’, ressalta Enias.
Se no início a timidez toma conta do candidato a cantor, depois da iniciação é difícil fazê-lo parar de cantar. Ouvidos privilegiados não têm espaço no videokê. Elizabeth Casella argumenta: ‘‘Desafinar não tem importância. É normal errar a letra também. Não tem essa de fazer cobranças pelo bom desempenho’’, diz convicta.
Esse grupo rendeu-se ao bem que a música faz à alma, e para enfrentar as agruras do cotidiano, nada melhor do que uma noite cantando. Outro argumento favorável, segundo eles, é a marcação do compasso oferecida pelo videokê, fazendo com que o cantor embarque no ritmo e seja levado pela música.
Ivalda Feitoza, gerente de um estabelecimento em Londrina, observa que na maior parte das vezes o tempo de locação das salas é de três horas. Tempo suficiente para se esbaldar. Segundo Ivalda, o público frequentador é bastante diversificado. Há até pais que deixam os filhos na porta do estabelecimento e voltam para buscá-los depois de algumas horas. Os universitários também são assíduos. Mas, sem dúvida, são os saudosistas os grandes frequentadores, revivendo um passado inesquecível através da música. Até que outra onda substitua essa, o refrão mais ouvido pode ser: ‘‘Solto a voz nas estradas, já não quero parar...’’.

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