‘‘Diviculdade’’ na leitura. Escrita desta forma, a primeira palavra do texto indica uma das características apresentadas pelos disléxicos. Trocar o F por V, o P por B está entre elas. Pessoas com dislexia têm dificuldade de associar os sons que escutam a seus símbolos gráficos, ou seja, as letras, por isso, as trocas. O problema, geralmente, é detectado no início da vida escolar.
Definida como distúrbio de linguagem (dis = distúrbio e lexia = linguagem, leitura), a dislexia é uma dificuldade acentuada no processo de leitura, escrita, soletração e ortografia. Um dos muitos distúrbios da aprendizagem definidos pela Associação Internacional de Dislexia, ainda em 1994.
Estudos revelam que as primeiras pesquisas sobre o distúrbio datam de 1800. Registros enumeram famosos diagnosticados como disléxicos, entre eles, Tom Cruise, Whoopi Goldberg, Agatha Christie e Leonardo da Vinci. Atualmente, pesquisas neuroanatômicas, genéticas e do processamento auditivo central e visual vasculham a desordem.
Não é doença De acordo com a fonoaudióloga Ana Paula Bobroff, o termo mais usado para a definição do problema, hoje, é transtorno na aquisição da linguagem escrita. Essa desordem na aprendizagem não é diagnosticada como doença. Estudiosos entendem que o aprendizado da língua escrita corresponde à aquisição de uma nova língua, motivo pelo qual deve-se respeitar os processos de dificuldade por que passam crianças que iniciam a alfabetização.
‘‘Na primeira série, muitas crianças escrevem como falam porque têm como modelo a linguagem oral já adquirida’’, explica Ana Paula. A partir dessa fase, crianças vão adquirindo a consciência fonética, já conseguem distinguir as diferenças e iniciam, inclusive, um processo de aperfeiçoamento da linguagem oral através da escrita.
Segundo Ana Paula são os professores que, na maioria das vezes, detectam o problema. Grande parte dos encaminhamentos é de crianças a partir da segunda série, quando essa consciência fonética está desordenada, ou seja, a criança tem dificuldade de perceber que determinado som pode ser expresso em várias letras. Exemplo é o som do S que pode ser representado por S, C, Ç, SS.
O trabalho do fonoaudiólogo é exercitar a consciência fonética. Fazer com que a criança perceba que existem os sons e as letras e faça a diferenciação entre fala e escrita. ‘‘Muitas vezes constatamos que alunos da quinta série ainda escrevem como falam porque essa diferenciação não ficou clara.‘‘, diz ela.
O método de alfabetização deve, também, deter a atenção dos pais, observa Ana Paula. Há crianças que se adaptam melhor a determinado processo e há casos que é aconselhado o acompanhamento individual. O método deve ser flexível, possibilitanto o contato da criança com a escrita de várias formas.
Despreparo Segundo a Associação Brasileira de Dislexia (ABD), as escolas brasileiras ainda não estão preparadas para lidar com alunos disléxicos. Conforme a entidade, nos Estados Unidos e Europa há escolas e universidades especializadas para disléxicos e cursos de verão para crianças melhorarem o rendimento.
Escolas paulistanas estão tentando melhorar o nível de conhecimento da dislexia através da participação de professores em cursos e congressos. A diretoria da entidade enfatiza que ‘‘a criança disléxica não é preguiçosa, não é burra, nem apática e tem grande potencial. Ela é inteligente, por isso recomendamos às escolas para levarem em conta mais as provas orais ou outras alternativas de avaliação, já previstas na Nova Lei de Diretrizes e Bases, onde se saem muito bem, e para relevarem os erros de ortografia em todas as matérias escritas, inclusive numa segunda língua.’’
Pesquisa Estudo realizado pela ABD entre 1996 e 1998 constatou que as pessoas que mais procuram a entidade têm entre 6 a 8 anos (33%); 10 a 13 anos (32%); 8 a 10 anos (17%); 13 a 16 anos (12%) e adultos (5%).
Quanto ao sexo, a pesquisa registrou que 76% dos disléxicos eram homens e 24%, mulheres. Estudos mostram que há uma relação de 3/1 de meninos atingidos. Um total de 87% estavam matriculados em escolas particulares; 13% estudavam em escolas públicas.
A pesquisa verificou também que a grande maioria das crianças frequentava a terceira série, seguidas por alunos da quinta série, e, depois, da segunda e quarta séries, colegial, universidade, aquelas que abandonaram os estudos e, por último, crianças da pré-escola.

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