O estágio em uma escola primária era requisito essencial para o currículo escolar das formandas em psicologia Emirene Tavares de Lima e Josiany Carina dos Santos. Assim, desde o início deste ano letivo passaram a trabalhar com crianças de 7 a 8 anos. ''A idade das crianças foi uma escolha aleatória'', conta Emirene. ''Mas aí percebemos que os pais também tinham suas necessidades'', lembra a dupla.
Foi assim que surgiu a idéia da terapia em grupo para pais. Entusiasmadas, as futuras psicólogas enviaram cartinhas convidando alguns pais de alunos a participarem do grupo que estavam montando. Três casais foram selecionados e até a semana passada, data da última reunião, tiveram encontros regulares uma vez por semana para trocar experiências, dividir angústias e delícias da criação dos filhos.
Recém-separada, Vânia Govea percebeu que a mudança na família estava refletindo no comportamento do filho, Alvinho, na escola. ''Mesmo separados, nós dois participamos do grupo o ano inteiro'', lembra. ''Existem muitas dúvidas e os pais estão sempre querendo saber um pouquinho mais na educação do filho'', justifica Vânia.
Para Marilene Rossato e Carlos Roberto de Oliveira foi a mudança de uma escola particular para uma pública que fez toda a diferença no jeito de ser do Bruno. ''Ele ficou agressivo'', contam os pais. ''Mas em outubro já estava quase 100% igual ao que era'', completam. É o saldo mais do que positivo de que a experiência do grupo deu certo.
Hiperativo, Antonio Júnior sofria com o excesso de zelo assumido dos pais, Marilza e Antonio Ribeiro de Oliveira. No decorrer das sessões de terapia em grupo, eles perceberam que poderiam ''soltar mais o filho''. ''Isso aqui foi uma escola para nós'', admite Marilza.
Três crianças diferentes, três histórias diferentes. Os elogios à experiência é que são bem parecidos. ''Todos querem continuar com o grupo no ano que vem'', conta Emirene, que pretende seguir nesse ramo da psicologia quando pegar o diploma no início de 2005. Ao lado da colega Josianay, ela diz ter encontrado a dupla ideal. Isto porque ao longo do ano, as duas passaram a atender, além dos seis pais, os três meninos também. ''Eu fiquei com os pais e a Josi com as crianças'', lembra.
De modo que a dinâmica do grupo foi dividida em três momentos. Primeiro com a participação apenas dos pais. Depois pais e filhos em salas separadas e, no final, todos juntos. ''Não quisemos um grupo grande porque para termos sucesso precisamos criar vínculo, empatia e sintonia com os participantes. No grupo, um fala, o outro ouve e pode pensar 'ah, vou tentar isso também''', ensinam Emirene e Josiany, que durante todo o trabalho tiveram o acompanhamento a distância de um supervisor..
''Não existe regra para educar, ler um livro e aplicar em casa. É preciso adaptar, com amor, para o seu filho'', explicam. ''Mas os pais ainda cobram muito dos filhos e têm muitas expectativas, sem dar embasamento para eles'', conta Josiany. É por isso que uma das primeiras etapas do trabalho em grupo foi definir em que degrau do desenvolvimento os filhos estavam. ''Aí, sim, os pais vão saber se vão ter uma boa resposta'', garante Emirene.
Durante as sessões, os casais foram levados a perceber que além de pai e mãe também eram marido e mulher. ''Percebemos logo depois a melhoria no compromisso de cada um'', contam. ''Família é um sistema, se um não está legal, a dinâmica fica comprometida'', explica Josiany, que nas reuniões com as crianças notava claramente se havia ou não problema na casa de cada uma delas.
''A função do grupo é de prevenção e também de informação. Há muita preocupação dos pais em saber se estão agindo certos ou não'', diz Emirene. A coincidência das três crianças serem meninos tem definição interessante de uma das mães. ''O telefone dos meninos é de ficha que demora a cair, já as meninas são celulares'', brinca Marilene, que também tem uma filha de 18 anos e sabe bem a diferença de educar meninos e meninas. n

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