Conhecida como mal do século, a depressão afeta atualmente 340 milhões de pessoas no mundo, conforme a Organização Mundial de Saúde. No Brasil estima-se que o número de depressivos chegue a 17 milhões. No entanto, a doença que é conhecida por atingir pessoas adultas tem cada vez mais se manifestado entre as crianças. Conforme o médico psiquiatra infantil, Diego Augusto Nesi Cavicchioli, há vários relatos de meninos e meninas - inclusive em idade pré-escolar - que apresentam depressão.
O psiquiatra explica que a doença na criança é bastante similar à diagnosticada em adultos. ''Elas podem ficar tristes, desanimadas, sem vontade de fazer as coisas, choram sem motivo e algumas até pensam em suicídio'', alerta.
Como as crianças nem sempre têm noção das emoções, são frequentes os casos em que elas somatizam o problema e apresentam sintomas físicos como dor de barriga, diarréia, dor de cabeça e enjoos. ''Outra característica comum é a irritabilidade. A criança pode ficar mais mal-humorada, fica sem paciência, briga mais e se comporta de maneira diferente'', afirma.
Pesquisas apontam que a depressão acomete em torno de 1% das crianças em idade pré-escolar, 2% das crianças em idade escolar e 8% dos adolescentes. ''Um comportamento frequente é o isolamento. Eles perdem a vontade de brincar, não querem ir para a escola, perdem a habilidade de se divertir e ficam mais quietos'', complementa.
De acordo com o médico, independentemente da idade da pessoa atingida, a depressão é multifatorial, mas pode acontecer sem nenhum fator motivador identificável. ''Às vezes ela vem acompanhada de um trauma, mas esta não é uma regra, sabemos que existe uma predisposição genética para o problema'', salienta. Cavicchioli acrescenta que conflitos em casa, casos de maus tratos, violência na família, separações, problemas socioeconômicos e bulling podem desencadear o problema.
Diante de uma suspeita de que o filho esteja com depressão, o psiquiatra orienta que os pais conversem com a criança. ''É importante tentar descobrir se alguma coisa na rotina da criança está promovendo esta situação. Muitas vezes as crianças vivenciam situações e têm medo de falar'', explica. Se apesar da conversa a criança não melhorar, é importante buscar uma ajuda especializada com psicólogo ou psiquiatra infantil.
Casos leves de depressão, geralmente, são solucionados com terapia, mas nos casos mais graves é preciso usar medicamentos antidepressivos. ''Há drogas que são indicadas para crianças a partir dos 6 anos de idade. Alguns pais ficam com receio do remédio causar uma dependência, mas isso não acontece. O tratamento dura em média um ano e o medicamento pode ser descontinuado depois'', destaca.
Cavicchioli lembra que a depressão é uma doença altamente recorrente, que pode acontecer outras vezes na vida da criança que já passou por uma situação assim. Por isso, é importante que a família fique atenta aos sintomas mesmo após a alta médica.

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