Três em um
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quinta-feira, 30 de julho de 2009
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Esqueça a ideia de que basta saber inglês e espanhol para impressionar um entrevistador e conseguir um bom emprego. As multinacionais e grandes corporações já consideram essas habilidades comuns nos currículos e buscam outros diferenciais. Falar idiomas como francês, alemão, chinês, japonês, além de influenciar positivamente em uma contratação, também é útil para estudos e viagens para outros países.
O problema é conseguir tempo para aprender tantas línguas, uma vez que cada curso dura dois anos no mínimo. Uma das soluções é aprender dois ou três idiomas de uma só vez. Existem técnicas que permitem aprender até dez línguas simultaneamente. Usamos um método de ensino não linear, desenvolvido no Japão, que utiliza os dois hemisférios do cérebro. Primeiro o aluno entende a estrutura e conhece o vocabulário, depois repete o conteúdo várias vezes e então cria em cima do que foi ensinado, afirma a proprietária da Excellent Global, Jaqueline Pasello. A escola oferece um curso em que os alunos aprendem espanhol, francês e italiano simultaneamente. O conteúdo é apresentado nos três idiomas durante a aula. Como são línguas próximas, fica mais fácil para assimilar. Em seis meses já é possível ter um nível intermediário de conversação nos três, garante.
A estudante Virginia Libos já fala inglês e resolveu experimentar o curso trilingue. Eu tinha vontade de fazer francês e, já que poderia agregar outras línguas, resolvi tentar. Como os idiomas possuem várias palavras que são parecidas, a gente confunde um pouco no início. Mas estou gostando muito das aulas. São apenas seis meses de curso e já consigo me comunicar nas três línguas, revela.
Para a estudante Thayara Pelegrini de Oliveira, estudar os três idiomas ao mesmo tempo facilita o aprendizado. Achei que iria me confundir com as palavras, mas foi muito tranquilo. Não tive problemas. Na verdade, até uso uma língua para lembrar da outra quando esqueço alguma coisa. A associação ajuda a memorizar e lembrar as coisas, comenta.
De acordo com Jaqueline, a maioria dos alunos do curso trilingue é estudante ou professor universitário. Outra vantagem do nosso sistema é que não temos tarefas, provas ou horas extras de estudo. São apenas duas horas de aula uma vez por semana, o que é bom para quem tem pouco tempo para estudar. A única coisa que pedimos é que o aluno não falte às aulas e se dedique. E o método que usamos pode ser aplicado em adultos e crianças, uma vez que priorizamos a estrutura e não a gramática, diz.
O ensino de língua estrangeira no Brasil
1500 - A Língua Portuguesa começou a ser ensinada aos índios, informalmente, pelos jesuítas.
1750 - Com a expulsão dos jesuítas e a proibição do ensino e do uso do tupi, o português virou língua oficial. Os objetivos eram enfraquecer o poder da Igreja Católica e organizar a escola para servir aos interesses do Estado
1759 - O alvará de 28 de julho determinou a instituição de aulas de Gramática Latina e Grego, que continuaram como disciplinas dominantes na formação dos alunos e eram ministrada nos moldes jesuíticos
1808 - Durante o período colonial, a língua francesa era minsitrada somente nas escolas militares. Com a chegada da Família Real, esse idioma e o inglês foram introduzidos oficialmente no currículo
1889 - Depois da Proclamação da República, as línguas inglesa e alemã passaram a ser opcionais nos currículos escolares. Somente no fim do século 19, elas se tornaram obrigatórias em algumas séries
1942 - Durante o governo de Getúlio Vargas (1882-1954), francês, inglês e latim eram matérias presentes no antigo ginásio. Já no colegial, as duas primeiras continuaram, mas o espanhol substituiu o latim
l961 - A Lei de Diretetrizes e Base da Educação (LDB) retira a a obrigatoriedade do ensino de língua estrangeira no colegial e deixa a cargo dos estados a opção pela inclusão nos currículos das últimas quatro séries do ginasial
1976 - Com a Resolução 58/76, do Ministério da Educação, há um resgate parcial do ensino de línguas nas escolas. É decretada a obrigatoriedade para o colegial, e não para o ginásio
1996 - Publicação da Lei de Diretrizes e Bases tornou o ensino de línguas obrigatório a partir da 5 série.
2005 - A Lei nº 11.161 instituiu a obrigatoriedade do ensino do espanhol. Conselhos estaduais devem elaborar normas para que a medida seja implementada em cinco anos, de acordo com a peculiaridade da cada região.
Fonte: História do Ensino de Línguas no Brasil - Projeto do Programa de Pós-Graduação em Linguística Aplicada da Universidade de Brasília.


