Estudos internacionais apontam que apenas de 0,5% a 2% dos casos em que a criança apresenta dificuldades na escola são provocados por lesões cerebrais. Em 98% das situações, questões psicológicas ou motivacionais, como hiperatividade e desinteresse, são os principais fatores que dificultam a aprendizagem. Quando uma criança apresenta baixo rendimento escolar, os especialistas em pediatria se deparam com um grande desafio: identificar a origem do problema. Ao contrário da maioria das doenças, os transtornos de aprendizagem não são detectados por meio de exames laboratoriais. Por isso, para se fazer um diagnóstico detalhado, é necessário realizar avaliação individual da criança e dos ambientes em que ela vive – família, amigos e escola. As causas psicológicas podem ser desencadeadas por fatos como a morte de uma pessoa próxima ou a separação do pais.
Segundo a pediatra Jussara de Azambuja Loch, presidente do Departamento Científico de Saúde Escolar da Sociedade Brasileira de Pediatria e professora da Faculdade de Medicina da PUC de Porto Alegre, a forma de manifestação do problema é a mesma, independente de ser causada por doença ou não. ‘‘É preciso avaliar se vale a pena submeter essa criança a uma equipe composta por vários médicos’’, observa a especialista.
Somente depois de descobrir o que está ocasionando o problema, o pediatra poderá definir o tipo de tratamento adequado, que pode envolver a participação de outros profissionais, como neurologistas e psicólogos. O apoio dos pais no tratamento também é importante. ‘‘Claro que os pais não precisam exercer o mesmo papel da escola. Mas eles podem acompanhar a criança em suas atividades e ajudá-la a se organizar’’, explica Jussara.
A especialista também chama a atenção para a necessidade de não culpar a criança pelo seu fracasso escolar. Os profissionais de saúde vêm abordando a questão de forma diferente, não colocando mais a deficiência ou a imaturidade do aluno como causa do seu insucesso. ‘‘Hoje, estamos questionando a adequação da escola no contexto histórico e social do aluno’’, afirma a médica. Essa recente visão do problema explica as constantes estatísticas brasileiras de repetência e de abandono da escola: de cada 1000 crianças que ingressam na escola, menos da metade chega à 2ª série, menos de 1/3 atinge a 4ª série e menos de 1/5 conclui o 1º grau.

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