A administradora hoteleira Helen Mendonça Orsi tinha 29 anos de idade quando sua vida teve uma reviravolta de um dia para o outro. Logo após ser diagnosticada com leucemia, ela se mudou de Londrina para Curitiba, onde optou por fazer o tratamento e começou uma série de quimioterapias. "Eu já era casada há quatro anos e meu marido e a minha mãe me acompanharam. Foi uma fase muito difícil, pois tinha que ficar internada e eram internações longas, muitas vezes sem poder receber visitas", relembra. "Foi uma mudança de vida muito brusca. Saí de um hospital para ir para outro. Nem mala eu fiz para ir para Curitiba. Não tive tempo de me preparar", conta.

O choque inicial, porém, logo foi superado por um imenso sentimento de confiança. "A primeira coisa que eu perguntei para o médico foi: 'tem cura?', ele disse que sim e eu pensei, então é isso que eu vou buscar. Sempre imaginei que tudo ficaria bem. Sabia que seria difícil, mas pensei: não é o nome da doença que vai me assustar. Tomei aquele período como um ano sabático, uma pausa para conseguir atingir a cura", analisa.

Além das quimioterapias, Helen também precisou de um transplante de medula óssea. Como não havia familiares compatíveis, a administradora precisou esperar por um doador anônimo, que apareceu seis meses depois. Após passar pelo transplante, outro período de desafios começou. "É uma fase muito delicada e de isolamento. O contato com as pessoas é restrito, pois a imunidade é muito baixa", explica. Para vencer essa etapa, ela se apoiou nos amigos que fez no hospital e no trabalho, que graças à internet pode ser feito de maneira remota, mesmo que de vez em quando.

Curada e com sua fé fortalecida, hoje Helen quer realizar mais um sonho: conhecer a pessoa que lhe doou a medula. "Como a doação é anônima, a única coisa que sei é que se trata de uma mulher, que mora no Brasil e da minha faixa etária. Só depois de 18 meses após o transplante é que permitem que se conheça o doador. Eu já manifestei a vontade de conhecê-la, mas ainda não tive resposta", conta. "Seria um momento muito especial, pois é uma pessoa que, mesmo eu não conhecendo, está muito presente na minha vida e nas minhas orações."

Durante o tratamento, vendo a falta de informação que ainda se tem sobre doação de medula, Helen criou um blog (www.medulaossea.wordpress.com) onde é possível saber tudo sobre como funciona a doação e o transplante de medula. "O intuito é conscientizar as pessoas sobre a importância da doação", relata. (B.Q.)

Imagem ilustrativa da imagem Transplante e esperança
| Foto: Foto: Ricardo Chicarelli
Helen Orsi, de 32 anos, teve leucemia e passou por transplante de medula óssea: "Sabia que seria difícil, mas pensei: não é o nome da doença que vai me assustar"
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