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quinta-feira, 20 de outubro de 2005
Da Editoria 
Que tal um Panzerotti, Trittico ou um Garri Pup com Molho Hoissin? Se deu vontade de pedir um dicionário para acompanhar o menu, não se preocupe: você não é necessariamente um ignorante da gastronomia. Com a entrada de novos produtos no mercado e a popularização de técnicas culinárias, alguns restaurantes valorizam o cardápio com expressões indecifráveis e até neologismos.
Descrever muito o prato pode atrapalhar, tenta justificar Hugo Delgado, do restaurante Obá, de São Paulo, que oferece pratos tailandeses, italianos e mexicanos. A pura descrição tira o paladar, tem de dar um charme para atrair, afirma Júnior Belém, chef do Deloonix, adepto do modismo americano que precisa ser traduzido desde o conceito, como o raw food, em que os ingredientes são servidos crus.
Tem palavra que simplesmente não dá pra traduzir, perde a elegância, diz o chef João Leme, do Rôti. Imagina colocar carne picada no lugar de tartar, não tem o mesmo apetite appeal, arremata Delooni. Os clientes concordam. Explicar tudo é preciosismo, tem coisa que dá pra gente deduzir e outras não fariam diferença na hora de pedir, afirma Izilda Rahal, que chegou a pensar que a mostarda ancienne em um prato do Paris Moscow fosse uma marca e não uma variação do condimento na qual os grãos não foram triturados.
A explicação do garçom sempre deixa o prato mais apetitoso do que a descrição por escrito, acredita o corretor de seguros Marcos Biasi. Ou pelo menos atenua a culpa. O Molho a la Russe do Lombo ao Forno do Paris Moscow, por exemplo, não diz nada sobre sua base supercalórica, feita com creme de leite, queijo, manteiga, tomate, pimentão, cebola e alho.
Preocupado em explicar com cuidado aos clientes o que vai em cada prato, o chef Belém vai além dos ingredientes e acrescenta nomes de técnicas culinárias para dar o tal toque de sofisticação. É o caso quando se fala da Brunoise Caju, do Tomate Concassè e do Paillard de Vegetais.
Já teve época em que o menu vinha em italiano ou francês. Nem você nem o garçom entendiam nada. Hoje não, o legal é descobrir as novidades, aumentar o vocabulário. Não fosse assim, a gente não ia saber até hoje que sushi é sushi e esfiha chama esfiha, alega Carlos Sampaio Andrade, consultor empresarial. A empresária Cassandra Carvalho concorda. A gente vem para comer e acaba aprendendo bastante.
Em tempo: Panzerotti é massa recheada em forma de triângulo; Trittico são receitas variadas a partir de uma mesma base (no Emiliano, de queijo parmesão); Garri Pup é um tipo de pastel tailandês. E Hoissin é um molho com base de soja de origem chinesa, cuja receita completa o pessoal do restaurante East mantém a sete chaves.


