Que tal um Panzerotti, Trittico ou um Garri Pup com Molho Hoissin? Se deu vontade de pedir um dicionário para acompanhar o menu, não se preocupe: você não é necessariamente um ignorante da gastronomia. Com a entrada de novos produtos no mercado e a popularização de técnicas culinárias, alguns restaurantes valorizam o cardápio com expressões indecifráveis e até neologismos.
  ‘‘Descrever muito o prato pode atrapalhar’’, tenta justificar Hugo Delgado, do restaurante Obá, de São Paulo, que oferece pratos tailandeses, italianos e mexicanos. ‘‘A pura descrição tira o paladar, tem de dar um charme para atrair’’, afirma Júnior Belém, chef do Deloonix, adepto do modismo americano que precisa ser traduzido desde o conceito, como o raw food, em que os ingredientes são servidos crus.
  ‘‘Tem palavra que simplesmente não dá pra traduzir, perde a elegância’’, diz o chef João Leme, do Rôti. ‘‘Imagina colocar carne picada no lugar de tartar, não tem o mesmo ‘apetite appeal’’’, arremata Delooni’’. Os clientes concordam. ‘‘Explicar tudo é preciosismo, tem coisa que dá pra gente deduzir e outras não fariam diferença na hora de pedir’’, afirma Izilda Rahal, que chegou a pensar que a mostarda ancienne em um prato do Paris Moscow fosse uma marca e não uma variação do condimento na qual os grãos não foram triturados.
  ‘‘A explicação do garçom sempre deixa o prato mais apetitoso do que a descrição por escrito’’, acredita o corretor de seguros Marcos Biasi. Ou pelo menos atenua a culpa. O Molho a la Russe do Lombo ao Forno do Paris Moscow, por exemplo, não diz nada sobre sua base supercalórica, feita com creme de leite, queijo, manteiga, tomate, pimentão, cebola e alho.
  Preocupado em explicar com cuidado aos clientes o que vai em cada prato, o chef Belém vai além dos ingredientes e acrescenta nomes de técnicas culinárias para dar o tal toque de sofisticação. É o caso quando se fala da Brunoise Caju, do Tomate Concassè e do Paillard de Vegetais.
  ‘‘Já teve época em que o menu vinha em italiano ou francês. Nem você nem o garçom entendiam nada. Hoje não, o legal é descobrir as novidades, aumentar o vocabulário. Não fosse assim, a gente não ia saber até hoje que sushi é sushi e esfiha chama esfiha’’, alega Carlos Sampaio Andrade, consultor empresarial. A empresária Cassandra Carvalho concorda. ‘‘A gente vem para comer e acaba aprendendo bastante.’’
Em tempo: Panzerotti é massa recheada em forma de triângulo; Trittico são receitas variadas a partir de uma mesma base (no Emiliano, de queijo parmesão); Garri Pup é um tipo de pastel tailandês. E Hoissin é um molho com base de soja de origem chinesa, cuja receita completa o pessoal do restaurante East mantém a sete chaves.

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