Totó de laboratório
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quinta-feira, 26 de outubro de 2006
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Quando se fala em inseminação artificial de animais é fácil imaginar a técnica sendo aplicada a equinos e bovinos. Por questões econômicas e para o aprimoramento da raça, donos de cavalos e bois vendem o material genético dos machos que melhor representam sua linhagem e inseminam suas fêmeas para garantir que o filhote seja um futuro campeão.
O que até pouco tempo era reservado apenas para animais de grande porte, criados em fazendas ou haras, agora invade os canis. A inseminação artificial em cadelas começa a ganhar espaço no Brasil e se tonrar prática comum entre os principais criadores e até mesmo para os donos que não conseguem cruzar seus animais de maneira convencional.
Segundo a veterinária Maria Isabel Mello Martins, doutora em reprodução animal e professora da UEL, o número de inseminações caninas vêm aumentando nos últimos anos e existem várias razões para isso. ''A principal delas é que a criação de cães mudou bastante. Hoje a reprodução aumentou e a forma como ela é encarada também é outra'', diz.
Para quem trabalha com a criação de cães, a principal vantagem de usar esse tipo de reprodução é poder cruzar animais que vivem em locais distantes e são ótimos exemplos de sua raça. ''Dessa forma, não é necessário transportar o animal, o que causa estresse devido às condições em que eles são colocados, em caixas pequenas e junto com a bagagem. O estresse, além de causar sofrimento no cão, pode diminuir bastante o tamanho da ninhada, uma vez que apenas a fêmea é que deve ir até a casa do macho, para que se sinta submissa e aceite a monta. No transporte também existe o risco de um acidente'', lembra.
A prevenção de acidentes durante o cruzamento também é um motivo levado em conta quando um dono decide inseminar seu animal artificialmente. A veterinária afirma que muitas vezes os animais se machucam porque a fêmea não aceita cruzar. ''Isso pode causar lesões nos genitais e em outras partes do corpo. Donos preocupados procuram evitar esse sofrimento'', comenta.
Ela lembra de raças que só conseguem se reproduzir, em sua maioria, com a inseminação artificial. O bulldog e bassethound são dois exemplos de cães que, devido ao seu tamanho, dificilmente conseguem cruzar. ''Em 90% dos casos, eles precisam de inseminação artificial. São animais de pernas muito curtas e bastante robustos, o que dificulta o macho subir na fêmea'', explica.
Independentemente de qual seja o motivo - melhoramento genético, distância ou dificuldade dos animais - Maria Isabel garante que a inseminação é fácil de ser feita, indolor ao animal, rápida e barata. ''É realizada a mesma técnica usada em bois e cavalos. O sêmem é recolhido do macho por masturbação e avaliado para garantir que possue boa quantidade de espermas móveis. Então o material é armazenado até que a fêmea esteja pronta para recebê-lo'', diz.
O sêmem pode ser armazenado em refrigeradores a 4 graus centígrados e ficar guardado por uma semana ou ser congelado em nitrogênio líquido, a uma temperatura de 196 graus negativos, e ser útel por tempo indeterminado. ''Geralmente se usa o nitrogênio apenas para grandes reprodutores, que têm um valor alto de seu sêmem. Para casos normais, o resfriamento é o melhor meio porque garante uma quantidade maior de espermas móveis'', lembra a especialista.
O próximo passo é aguardar até que a fêmea esteja em seu período fértil, o que varia bastante de animal para animal. Diariamente, durante o sangramento, a cadela passa por um exame de material do canal da vagina para determinar a proximidade da ovulação. ''É como se fosse um exame de Papanicolau. Não causa dor, nem precisa de cirurgia, repouso ou remédios'', garante.
A inseminação pode ser feita de duas maneiras - intra-vaginal ou intra-uterina - por meio de endoscopia. ''Isso vai depender da maneira como o sêmem foi armazenado. Caso ele tenha sido congelado com nitrogênio líquido, a quantidade de esperma cai para 40% ou 60% e a endonscopia é necessária. Como as cadelas possuem um óvulo que necessita de cerca de dois dias para maturar, é necessário fazer o procedimento em dois ou três dias'', comenta.
Apesar de ser um procedimento simples e não oferecer riscos para a saúde do animal, a veterinária lembra que ele deve ser evitado em alguns casos. ''Se o animal pode copular, se possui doenças genéticas ou mais de oito anos de idade, a inseminação não é recomendada. Outro cuidado é procurar um veterinário capacitado e um serviço credenciado. No Brasil existem apenas cinco locais que realizam a inseminação'', revela.
Serviço Hospital Veterinário: fone (43) 3371-4269


