Os pequenos esquimós de um vilarejo perdido do mar de Chukchi colocam os presentes em árvores de Natal artificiais por não existirem árvores de verdade por lá. Nas janelas e nas portas, muitas luzes coloridas. Os presentes são comprados pelo correio, porque não há lojas ou shoppings. Na ceia, carne de baleia, peru, pato e até de urso! Os meninos havaianos colocam bananas, cocos e bonequinhas dançando o hula-hula nos coqueiros típicos de seu país - a árvore de Natal deles. Em toda parte há festa e alegria nesta época do ano, no mundo inteiro.
Em Israel, onde não se comemora o Natal, os judeus celebram a Chanuká, que ao lembrar uma revolta contra os gregos-sírios que governaram Israel há dois mil anos, relaciona-se com os tempos de Cristo. Acendem-se velas a cada dia, representando a esperança de um milagre. Um milagre que ilumine o coração de todos os homens, em todos os países. Em Bangladesh, na Ásia, um dos lugares mais pobres da Terra, os lavradores cristãos cortam bananeiras que replantam aos pares no caminho para as igrejas ou na entrada de suas casas, formando arcadas com as grandes folhagens. Cavam depois pequenos buracos em pés de bambu, colocam óleo e amarram as toras nos arcos. Acesa, a decoração indica que o caminho para Cristo está iluminado.
Na Etiópia, o Natal começa às quatro da manhã na capital, Adis-Abeba, quando os sinos das igrejas chamam os católicos para a missa. Depois, é sair às ruas, com a melhor roupa. No passado, quando a Etiópia era uma monarquia, as crianças iam para porta do palácio esperar os presentes do Imperador.
Na Índia, ex-colônia inglesa, o Natal é uma festa cosmopolita e colorida, misturando oriente e ocidente. Trocam-se presentes, decoram-se as casas, enviam-se cartões de boas-festas e há danças típicas. Os empregados das castas inferiores, costumavam oferecer limões para seus patrões na manhã de Natal, como forma de consideração e desejo de longa vida e prosperidade. No nordeste da Índia, em Bhil, canta-se durante uma semana, noite após noite, canções locais para festejar a cristandade.
No Japão, paraíso do consumo, onde não predomina o cristianismo, a influência dos missionários cristãos introduziu a troca de presentes, os enfeites e a ceia com peru - na terra do peixe. As lojas ficam lotadas e as crianças se encantam com a manjedoura no presépio porque bebês japoneses não dormem em berços.
Na Hong Kong taoísta acontece o festival Ta Chiu, quando os sacerdotes invocam os deuses e os mortos. No final da festa, os nomes de todos os moradores das redondezas são colocados numa lista, amarrados a um cavalo de papel e queimados, num desejo de que suas almas, um dia, alcancem o paraíso. Cada povo da Terra exprime suas esperanças nessa noite mágica, que une os corações em volta da mesa, ou em preces, danças e cantos. É o fim do ano que chega e, com ele, a expectativa das boas-novas que Dun Che Lao, o Papai Noel chinês, pode trazer no fim de janeiro, durante a celebração do inverno que anuncia o Ano Novo na China. São poucos os cristãos no país, mas no final do ano as casas são iluminadas com as típicas lanternas de papel, e as crianças penduram meias de seda para que Dun Che Lao coloque os brinquedos.
Na Itália, muitos presentes são entregues no dia 6 de janeiro, quando a Befana, ou Epifania, premia ou pune as crianças. Diz a lenda que, naquele dia, há dois mil anos, Befana negou comida e hospedagem aos Reis Magos, cansados da viagem. Desde então, ela corre o mundo procurando o Menino que os reis Baltazar, Gaspar e Melchior foram presentear com incenso e mirra. E, muito tempo antes de Cristo, Odin, deus viking, corria a Terra em seu cavalo, distribuindo presentes ou castigos. Odin foi o precursor de Papai Noel no mundo pagão.
Nosso Papai Noel, ou São Nicolau, teria sido o bispo de Myra, em Lúcia, na Ásia Menor, ao final do século IV. Por isso, na Suécia, todo dia
13 de dezembro, as crianças festejam Lúcia, vestidas com batas brancas - as meninas usam aros com velas na cabeça e os meninos, um cone.
Santa Claus ou Sinter Claus ou Pai Janeiro, fez tantos milagres que se tornou o padroeiro dos estudantes e dos marinheiros. Um desses milagres teria sido jogar pela janela saquinhos de ouro como dote, para que três moças pudessem se casar com seus amados. Ele é o padroeiro da Rússia, onde Natal e Ano Novo acontecem juntos em janeiro, e as crianças aproveitam o mês mais frio do ano para colocar bolas de gelo na árvore de Natal e atacar as balas de chocolate. Papai Noel sempre aparece no dia em que Cristo teria nascido, segundo a Igreja: 25 de dezembro.
A data do nascimento de Jesus é desconhecida, mas estaria associada à antiga celebração do solstício de inverno - um período agrícola de fartura na Europa. Dizem também que São Nicolau seria um humilde abade generoso, que costumava presentear os fiéis. São histórias e lendas que, verdade ou mentira, acendem a imaginação das crianças e encantam ainda hoje os adultos.

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