Todo mundo tem
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quinta-feira, 06 de outubro de 2005
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Se perguntarmos por aí, dificilmente vamos encontrar uma pessoa que nunca tenha sentido dor de cabeça, da mais leve às terríveis crises de enxaqueca que atingem 20% das mulheres e 10% dos homens no mundo. Estudos mostram que 80% das pessoas terão ao menos um tipo de dor de cabeça por ano.
E mesmo sendo algo extremamente comum, essa dor pode se tornar um mistério até mesmo para os médicos. ''Sabemos que 90% dos casos são de origem tensional. A pessoa passa por um dia cansativo ou uma situação de estresse e isso se manifesta com a cefaléia. Mas a medicina não sabe com precisão o que desencadeia os outros casos. Não existem exames para caracterizar os tipos de cefaléia nem para dizer exatamente o que causa o problema'', comenta o neurologista Márcio Francisco Lehmann.
Até mesmo para diferenciar a enxaqueca, o especialista diz que só pode contar com informações reveladas pelo paciente. ''A enxaqueca é caracterizada pela dor unilateral e por sintomas que vão além da dor. Geralmente o paciente sente náusea, ou fica muito sensível à luz, a odores ou ao barulho. Ela também sofre crises com períodos determinados. Quando a pessoa apresenta esses sinais diagnosticamos como enxaqueca'', explica.
Mas como as dores de cabeça podem indicar problemas mais sérios, o médico aconselha consultar um especialista. ''Em poucos casos, as dores podem ser consequência de tumores no cérebro, de algum aneurisma ou problema metabólico. Quando a pessoa toma um analgésico e a dor continua, é necessário submeter o paciente a exames que possam descartar qualquer risco de complicação'', afirma.
Eliminadas as possibilidades de doenças graves pode-se chegar a um diagnóstico da causa da dor. ''As causas podem ser alimentares, hormonais, alérgicas, dentais, oculares. Se a dor for causada por algum alimento, por exemplo, a ingestão do mesmo acaba com o problema. Se os motivos forem oculares ou dentais, o tratamento desses problemas também eliminam o mal. Na verdade, a investigação da causa pode levar tempo, e algumas vezes o médico não descobre a razão da dor'', diz Lehmann.
O tratamento pode ser profilático ou imediato, dependendo da gravidade e da frequência das crises. ''Para qualquer caso, a pessoa deve tomar o medicamento indicado pelo médico quando percebe que vai ficar com dor de cabeça. Mas quando as crises são muito intensas e frequentes são prescritos medicamentos de uso contínuo para evitar que elas apareçam. Uma pessoa que tenha dores intensas pelo menos uma vez por semana, que incapacitam para o trabalho, precisa fazer tratamento profilático'', aconselha.
Em geral essas dores constantes não causam problemas de saúde no futuro, com exceção da enxaqueca hemiplégica. ''Nesses casos, que são raros, o paciente tem crises tão fortes de dor que chega a sofrer paralisia dos membros e pode até pode apresentar sequelas no cérebro. Por isso, é importante procurar um médico caso a pessoa perceba qualquer alteração na intensidade da dor, que pode ter relação com algo grave'', alerta o especialista.
Além de evitar os fatores desencadeantes da dor, como alimentos gordurosos, chocolate, bebidas alcóolicas, embutidos, produtos que causam alergias e estresse, é recomendável a prática de exercícios físicos regularmente, além de uma alimentação saudável. ''Qualquer pessoa em qualquer idade pode ter dores de cabeça. Já a enxaqueca aparece geralmente durante a adolescência. Os exercícios e a alimentação ajudam a prevenir a doença no futuro.''


