Todas as faces da suavidade
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quinta-feira, 25 de fevereiro de 1999
Celso Mattos 
Naturalidade. Esta é a palavra que deve estar na mente e no rosto das mulheres neste fim de século. A suavidade vem ganhando espaço também na maquiagem que, mesmo nos tons quentes como o vermelho, por exemplo, deve apresentar um resultado suave e equilibrado. A maquiagem precisa ter personalidade e estar de acordo com o rosto da mulher para ter autenticidade. A ditadura das cores, produtos e texturas também cedeu lugar à democracia. Pode tudo, desde que o bom senso prevaleça.
O brilho dourado nos lábios dá um toque especial à pele escura. Preto ou marrom são as cores mais adequadas para o lápisA maquiagem muda de pessoa para pessoa, mas não de raça para raça. Todos os produtos que a mulher branca usa, a negra também pode usar, com exceção da base, que precisa de cuidados especiais, afirma o coiffeur Beto Maran. Ele salienta que a pele negra é privilegiada porque sofre menos as ações do tempo. É mais resistente, uniforme e tem menos rugas, acne e manchas, observa. Como a pele negra é mais oleosa, Beto Maran recomenda o uso de uma base translúcida oil-free (livre de óleo). Na falta de uma base adequada, o melhor é substituí-la por um hidratante oil-free ou um pó facil translúcido, orienta.
Beto Maran destaca que o uso de uma base inadequada pode alterar a cor da pele, deixando-a esbranquiçada ou acinzentada. Pode-se também fazer misturas de base com base e de batom com base até conseguir um tom que se adapte bem à pele negra. Mas isso deve ser feito com muito critério, acrescenta. Para os demais produtos como batom, lápis, sombra e rímel, ele explica que não existe um regra ou marca específica, o que deve prevalecer é o bom senso. O vermelho, por exemplo, que vai estar na moda no próximo inverno, fica ótimo na pele escura se for usado com cuidado, ressalta.
Neste final de século, a maquiagem apresenta um resultado suave e equilibrado, dispensando a ditadura de cores e texturas que prevaleceu nas últimas décadasPara os batons, ele recomenda os tons em marrom-escuro, café, bordô, caramelo e vinho. E brilho, muito brilho na boca. Já a sombra pode ser marrom, dourada, preta e marrom-avermelhada. Preto ou marrom são as cores mais adequadas para o lápis. Mas nada impede que a mulher negra use um lápis branco sobre as pálpebras. Fica ótimo se for bem utilizado, afirma Beto Maran, destacando que o gloss também cai muito bem sobre a pele negra. O brilho, de uma forma geral, dá um toque especial à pele escura, acrescenta.
Quanto à base, Beto Maran dá um toque importante: Aplicar sobre a base um pó também ajuda a adequá-la ao tom da pele e fixá-la melhor, dando um aspecto avermelhado à maquiagem, orienta. Ele diz que na área de cosmetologia para negros, o Brasil fica muito a desejar. Por ser um país com uma grande população negra, a deficiência ainda é grande. Principalmente se comparado aos Estados Unidos, que é campeão nesse segmento, salienta. O coiffeur lembra que a transpiração é a grande inimiga da maquiagem. No caso dos negros, que suam com mais intensidade, o melhor é sempre ter à mão uma esponja para retirar o excesso de brilho causado pela transpiração.


