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quinta-feira, 09 de março de 2006
Da Editoria 
Uma ''reserva celular'' que poderá ser útil pelos próximos anos, sobretudo, com o acelerado desenvolvimento da tecnologia. Assunto ainda polêmico na mídia e nas discussões dos especialistas da área da saúde, o uso de células-tronco no tratamento das mais variadas doenças é hoje algo que não pode ser ignorado, principalmente pelos futuros pais que têm pela frente duas decisões mais que importantes: conservar ou não as células-tronco do sangue do cordão umbilical.
No Brasil já existem oito bancos privados e dois públicos em funcionamento, trabalhando com a coleta e o armazenamento do sangue do cordão umbilical e placentário (SCUP). No mundo são mais de 150 deles. A metodologia utilizada é basicamente idêntica principalmente quando se fala em Brasil uma vez que os fornecedores de materiais e equipamentos são praticamente os mesmos. E é por isso que surgem as dúvidas: vale a pena o investimento e em que empresa confiar.
''Atualmente, a medicina tem apresentado um avanço muito acelerado em pesquisas com células-tronco'', observa Fabio Rueda Faucz, biólogo doutor em genética humana. ''A possibilidade de utilização desse material no futuro é muito grande, quando pensamos em doenças comuns como problemas cardíacos, diabetes, complicações pulmonares e até doenças que se tornam mais frequentes com o aumento da expectativa de vida, como o Mal de Alzheimer e o de Parkinson. Assim, o armazenamento das células-tronco do sangue de cordão umbilical serve como uma espécie de seguro biológico'', afirma.
Basta lembrar que as células-tronco, sejam de cordão umbilical ou de medula óssea, já são usadas hoje no tratamento de diversas doenças, principalmente as cardíacas, hematológicas e oncológicas. ''Também existem pesquisas muito positivas no tratamento de terapia tecidual de fígado, pâncreas, tecido músculo-esquelético e tecido nervoso'', afirma o médico hematologista Rodolfo Froes Calixto, do Instituto de Hematologia do Nordeste (IHENE), de Recife.
Procedimento Apesar de parecerem complicadas, a coleta e a armazenagem das células do cordão umbilical são simples. O enfermeiro Emerson Leandro de Souza Carvalho, responsável pela equipe que realiza a coleta do sangue no Instituto de Hematologia de Londrina (IHEL), explica que tudo é feito no momento do parto e de forma rápida e indolor. ''Depois que o bebê já foi retirado do útero e o cordão umbilical é cortado pela equipe médica nós recolhemos o sangue. Em seguida, quando a placenta é retirada da mãe, o sangue dela também é retirado. Mas nossa equipe nem chega a ter contato direto com a mãe ou com o bebê'', garante.
Ele lembra que para a coleta ser feita, existem algumas exigências. ''A gestação precisa ter completado pelo menos oito meses e ter transcorrido sem infecções ou doenças genéticas. Geralmente, a mãe nos liga informando o dia e hora do parto para que possamos acompanhar'', afirma.
Depois de recolhidas, as células-tronco do sangue são separadas, tratadas e armazenadas em um contêiner de nitrogênio líquido, num processo chamado de criogenia, a cerca de 190 graus negativos. ''Lá elas podem ficar por muito tempo e servir no futuro para atender qualquer membro da família, além da criança'', garante.
O material recolhido pelo Ihel é amarzenado em um banco na cidade do Recife (PE) e o enfermeiro lembra dos cuidados necessários para que a distância não comprometa a qualidade do serviço. ''Atendemos várias cidades da região e assim que é retirado, o sangue é colocado em bolsas dentro de um contêiner com nitrogênio líquido e enviado de avião até o banco de cordão umbilical. Dessa maneira, não há o risco de deteriorar o material'', explica.
Atualmente a manutenção do armazenamento paga anualmente é acessível. Porém, a aquisição do serviço ainda é considerada cara. No Ihel, a coleta custa R$ 3.000 e o armazenamento R$ 600 anuais..
O que os pais precisam pensar, segundo o biólogo Fábio Faucz, é no benefício que a decisão pode trazer futuramente, pois apesar de as terapias existentes hoje serem relativamente limitadas, as pesquisas no setor estão cada vez mais adiantadas e as perspectivas de utilização aumentam a cada dia. Isso significa que, caso as células sejam necessárias, há grande chance de haver tecnologia suficiente que possibilite salvar a vida do paciente.
Cuidados Segundo Augusto Samways, administrador da Cryogene Criogenia Biológica, empresa curitibana especializada em coleta e armazenamento de sangue de cordão umbilical e placentário, é fundamental que se conheça a empresa, verificando suas instalações e estrutura, o grau de comprometimento dos funcionários, entre outras coisas.
Outra dica é conhecer a composição societária da empresa e, se possível, os proprietários. É uma forma de se prevenir de surpresas graves como, por exemplo, o fato da empresa falir em poucos anos. ''As empresas mais capacitadas preocupam-se claramente com a continuidade dos serviços prestados. Além disso, os pais sempre devem conferir se a empresa está em dia com órgãos verificadores, como a Vigilância Sanitária e os Conselhos Regionais de Medicina'' (Colaborou Hérika Fondazzi)


