Teste de sobrevivência
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de junho de 2002
Rosângela Vale 
No auge da paixão, quando os encontros têm aquela urgência absoluta e ficar distante parece uma insanidade, é difícil resistir à idéia que, de repente, começa a fazer sentido. Se o relacionamento é tão bom, por que não prolongá-lo para além das noites de sexta e sábado? Como seria delicioso chegar em casa e encontrar a cara-metade ali, totalmente disponível para dividir o cansaço e as conquistas do dia... É o que provavelmente pensam os apaixonados se é que há tempo para isso antes de juntar os trapos e tentar experimentar a promessa hollywoodiana de ...e foram felizes para sempre.
É claro que nem é preciso ter uma desilusão amorosa para descobrir que a coisa não funciona exatamente como nos contos de fada. Apesar de amenizar o peso e as responsabilidades de um casamento convencional, o cada vez mais popular morar junto faz com que os pombinhos se deparem com uma realidade bem diferente da que imaginavam antes de estarem sob o mesmo teto. Quando a gente era namorado, tinha preocupações individuais e dividia só as alegrias. Costumávamos viajar muito, mas hoje não dá, porque tem os gastos com a casa, com o nosso filho. Acaba sendo uma rotina de casado, conta Juliana Fabrini, 25 anos, que resolveu viver com o namorado, Marcelo Yamasita, 29 anos, depois de um ano de namoro e a notícia da gravidez.
Hoje, um ano depois da decisão e um personagem extra nessa história João, de sete meses Juliana e Marcelo aprovam a experiência. Temos nossos problemas de convivência como todo casal, mas isso é normal. Estamos aprendendo muito, diz ele, que considera a situação uma fase de adaptação antes do casamento no papel. É uma prova e tanto para a relação. Só o amor não dá conta, tem que ter muito companheirismo, muita paciência, observa ela.
Para Marcelo, seu relacionamento, na prática, já é um casamento. Não tem diferença nenhuma. Tenho mulher, filho, contas para pagar, justifica. Já para Juliana, nomear a relação não é tão simples assim. Quando me perguntam se sou casada, não respondo na hora, acabo explicando a situação, diz ela, observando que o melhor de tudo é poder contar com Marcelo em todas as horas, dividir com ele a criação do filho e conseguir manter o clima de romance. Continuamos esperando o Dia dos Namorados.


