Teste da orelhinha
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2002
Da Redação 
Alguns exames feitos em recém-nascidos podem revelar doenças que muitas vezes pais e mães não imaginam. Um dos exemplos mais conhecidos é o do Teste do Pezinho (Fenilcetonúria) que, hoje, se tornou bastante comum. Mas outros problemas que podem afetar seriamente a vida da criança têm passado despercebidos.
A incidência da surdez em bebês é maior do que outras doenças. Estatísticas indicam que três em cada 1000 recém-nascidos apresentam deficiência auditiva. Essa incidência é alta quando comparada com outros testes de Triagem Neonatal.
Atualmente, a idade média do diagnóstico da deficiência auditiva no Brasil é entre os 3 e 4 anos de idade; levando, muitas vezes, até dois anos entre a suspeita dos pais e a confirmação do problema.
O bebê que não se beneficia de experiências auditivas nos primeiros meses de vida não terá as condições naturais para o desenvolvimento de sua fala, tendo como principais consequências dificuldades como auto-imagem, dificuldade em desenvolver comportamentos adequados para uma integração normal à sociedade, além de dificuldades educacionais e vocacionais.
A reabilitação da deficiência auditiva se torna mais eficiente quando é detectada nos primeiros meses de vida, propiciando experiências sonoras para o desenvolvimento da linguagem, explica a fonoaudióloga Cristiane Pineroli Bochnia, que trabalha na área neonatal desde 1996.
Existe uma maneira muito simples de evitar vários transtornos na vida da criança. A chamada Triagem Auditiva é feita, inicialmente, através do exame de emissões otoacústicas evocadas ou o teste da orelhinha. O teste é feito no próprio berçário, de preferência no 2º ou 3º dia de vida. A duração é de aproximadamente 5 a 10 minutos, não apresentando contra-indicação.
O bebê pode fazer o exame enquanto está dormindo. Não há nenhum tipo de intervenção invasiva, é absolutamente inócuo, esclarece a fonoaudióloga. O método de registro se dá por um microfone e um gerador de estímulos acoplados a uma sonda colocada no ouvido do recém-nascido.
Qualquer criança pode apresentar um problema auditivo ao nascimento ou adquiri-lo nos primeiros anos de vida. Isso pode ocorrer mesmo que não haja casos de surdez na família ou fatores de risco aparentes. Ouvir é fundamental para o desenvolvimento da fala e da linguagem. Bebês com perda auditiva diagnosticada no nascimento e com tratamento iniciado até os 6 meses de idade apresentam desenvolvimento muito próximo ao de uma criança ouvinte, diz Cristiane.
A fonoaudióloga defende que o Programa de Triagem Auditiva se torne obrigatório em todas as maternidades de hospitais. Ela mostra que o exame é simples, rápido e tem um custo muito baixo. O exame de emissões otoacústicas custa pouco menos de R$ 40 reais.
Incidência
Fenilcetonúria (Teste do Pezinho) 1 em cada 1000 recém-nascidos
Alteração Auditiva (Teste da Orelhinha) 3 em cada 1000
Hipotireoidismo 2,5 em cada 1000
Anemia Falciforme 2 em cada 1000 nascimentos
Fonte: Grupo de Apoio à Triagem Auditiva Neonatal Universal (GATANU)


