Terapia na areia
Entrar em um consultório psicológico e se deparar com uma caixa de areia com inúmeros objetos em miniatura, representando pessoas, animais, santos, carros, plantas e figuras folclóricas, não é nada convencional. Inicialmente, a impressão que se tem é de ter errado a porta e entrado num quarto de criança. Mas o universo infantil retratado no consultório da psicoterapeuta Beatrix Michel não é mera obra do acaso. Depois de trabalhar 15 anos com crianças, ela encontrou na ludoterapia uma forma eficiente de trabalhar com adolescentes e adultos.
Quando a criança se diverte com seus brinquedos, ela cria cenários que, de uma certa forma, representam seu inconsciente, argumenta. A técnica parece brincadeira mas, segundo Beatrix Michel, é um trabalho baseado na teoria do famoso analista suíço C.G. Jung, colaborador de Freud. Usa-se uma pequena caixa cheia de areia e muitas miniaturas. O paciente é encorajado a usar esses objetos para montar uma cena na caixa, colocando seu problema de forma simbólica na areia. Em seguida, peço a ele que converse sobre o cenário montado, procurando estratégias para mudá-lo, explica a psicoterapeuta.
Ela salienta que usando essa técnica projetiva, o profissional funciona apenas como facilitador do processo terapêutico. Ele age como as antigas parteiras, deixando a natureza da psique seguir seu curso natural e, somente toma iniciativa quando as coisas se tornam mais difíceis. É o paciente que interpreta o seu jogo e tira suas próprias conclusões, observa. Beatrix Michel compara a técnica à forma como os soldados montavam estratégias de combate antes da batalha. Eles usavam uma caixa de areia e símbolos para representar as cavalarias, os batalhões e os canhões, criando cenários para facilitar o ataque ao inimigo. Neste caso, o inimigo é o problema que o paciente está enfrentando, exemplifica.Fotos: Paulo WolfgangA técnica facilita o tratamento porque evoca a criatividade, explica a psicoterapeuta Beatrix MichelCelso Mattos





