Celso Mattos
As famílias que têm em casa uma pessoa com problemas psiquiátricos, neurológicos ou de paralisia enfrentam uma série de dificuldades. Na maioria dos casos, o indivíduo fica bastante dependente, exigindo dos familiares uma dedicação quase que exclusiva. É preciso levá-lo a hospitais ou clínicas para exames periódicos, orientá-lo na higiene pessoal e aprender a lidar com as constantes crises de depressão e, às vezes, de agressividade. Um aprendizado que além de dolorido, necessita de uma orientação especializada.
Foi pensando em facilitar a vida dessas pessoas que três profissionais da área se uniram para criar o serviço de Acompanhamento Terapêutico Domiciliar: Luciandra Kersting, terapeuta ocupacional; Khátia Nemeth Peres, psicóloga, e Fábia Almeida, enfermeira psiquiátrica, ao contrário de ficar no consultório esperando pelo paciente, se deslocam até a casa dele para consultá-lo e prestar os cuidados necessários. ‘‘A idéia de criar esse serviço na Cidade surgiu depois de uma viagem que a Fábia fez aos Estados Unidos, onde o tratamento domicilar é bastante comum’’, informa Luciandra Kersting.
O acompanhamento terapêutico prestado pelas profissionais inclui atendimento a portadores de problemas psiquiátricos e neurológicos, inclusive em crianças e idosos. ‘‘Inicialmente, nós fazemos uma entrevista com a família e com o paciente para tomarmos conhecimento da situação. Em seguida, nós três nos reunimos para avaliar o que podemos fazer e até aonde podemos ajudar a família e o paciente. Só então traçamos um cronograma de tratamento que, dependendo do caso, inclui visitas domiciliares duas vezes por semana, readaptação da pessoa na sociedade, orientação à família e até levar o paciente para passear’’, esclarece a terapeuta ocupacional.
Acidente Para exemplificar, Luciandra Kersting cita o caso de uma pessoa que sofre um acidente e fica um longo período em coma. ‘‘Quando ela volta para casa, ainda está traumatizada, tem confusões mentais e medo de voltar a dirigir. Nós fazemos um acompanhamento personalizado que visa devolver a vida normal que ela tinha antes do acidente ou, pelo menos, amenizar o problema’’. Já para aqueles que sofrem de depressão ou outros distúrbios mentais, as profissionais orientam e verificam se os medicamentos prescritos pelo médico estão sendo tomados corretamente.
‘‘No entanto, nosso trabalho não se restringe apenas a ficar com o paciente dentro de casa. Se preciso for, nós o levamos ao cinema, ao shopping, ao Zerão para fazer exercícios físicos. Enfim, tudo aquilo que for necessário para reintegrá-lo à sociedade e torná-lo cada vez mais independente. No caso de pessoas que ficam paralíticas, por exemplo, nós vamos até a casa da família para orientá-la sobre as mudanças físicas que devem ser feitas no ambiente, além de orientar como proceder na higiene pessoal do paciente’’, acrescenta Luciandra Kersting.
Privacidade Mas, até que ponto isso não desenvolve na pessoa uma dependência? ‘‘Bem, como estamos lidando com indivíduos afetivamente carentes, desde o início do tratamento temos que deixar claro para o paciente que estamos ali como profissionais e por tempo determinado. Nosso propósito é que ele volte a ser uma pessoa independente e que tenha uma vida o mais normal possível. Não podemos deixar que ele nos veja como uma eterna bengala’’, afirma a terapeuta. Ela ressalta que esse acompanhamento terapêutico não dispensa o tratamento médico do qual o paciente necessita. ‘‘Inclusive, um dos nossos objetivos é orientar a família sobre a importância disso’’, destaca.
Luciandra Kersting comenta que existe, por parte da família, uma certa resistência em procurar esse tipo de serviço. ‘‘O que percebemos é que os familiares acham que nós vamos invadir a privacidade deles. Enquanto que, na verdade, o que oferecemos a eles é mais liberdade e comodidade’’. Ela informa ainda que o serviço conta com uma auxiliar de enfermagem para aqueles pacientes que precisam de cuidados em tempo integral por um curto período de tempo. ‘‘Em breve, estamos pensando em incluir no grupo um fisioterapeuta para prestar um acompamento mais diversificado’’, acrescenta Luciandra Kersting.
Serviço: Acompanhamento Terapêutico Domiciliar: fones (43) 996-0395 ou 324-3524.O serviço de Acompanhamento Terapêutico Domiciliar visa facilitar a vida de famílias que têm parentes com problemas psiquiátricos
ReproduçãoO acompanhamento terapêutico inclui atendimento a portadores de problemas psiquiátricos e neurológicos, de todas as idadesPaulo WolfgangA terapeuta ocupacional Luciandra Kersting e a enfermeira psiquiátrica Fábia Almeida: tratamento personalizado

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