Terapia antioxidante
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quinta-feira, 26 de outubro de 2000
Raquel Almeida Agência Estado 
Em se tratando de saúde, prevenir é sempre a melhor solução. Uma dieta balanceada, rica em frutas, verduras e legumes contribui para a boa forma e para uma vida mais saudável. Após os 40 anos, com complementos vitamínicos, ela pode retardar ou mesmo evitar o aparecimento de doenças degenerativas, como diabete, insuficiência cardíaca e perda de memória. Esse tratamento é conhecido como terapia antioxidante.
De acordo com o médico geriatra Luiz Roberto Ramos, diretor do Centro de Estudos de Envelhecimento da Escola Paulista de Medicina, a terapia antioxidante é realizada através de um coquetel básico de vitaminas. Não existe contra-indicação. É importante que a pessoa saiba que o tratamento não tem ação curativa, e sim preventiva. Só recomendamos a terapia para idosos com doenças crônicas por possibilitar uma preservação celular maior acredito que até mesmo uma pessoa com câncer poderá conquistar benefícios com a terapia.
Quando somos crianças, ganhamos funções. Entre os 20 e 40 anos atingimos o máximo, de acordo com as condições de cada indivíduo, de funções, e o organismo fica estável. Após essa idade, inicia-se a fase decrescente de funções. Neste momento é que um tratamento preventivo é indicado, reforça o geriatra.
Segundo ele, durante toda a vida, o organismo perde e renova células. Quando existe a perda e não há a reposição, ocorre uma oxidação celular que permite a formação de radicais livres moléculas com poder de lesar estruturas dentro das células. As enzimas são os antioxidantes naturais, responsáveis por eliminar os milhões de radicais livres dentro do corpo humano que precisam ser utilizados.
Prevenção Quando a pessoa atinge a fase descendente das funções, o corpo humano tenta eliminar os radicais livres. Para isso, necessita de uma alimentação balanceada e rica em antioxidantes, com a ingestão de vitaminas, encontradas em frutas, verduras, legumes e óleos vegetais (como de oliva), evitando frituras e açúcares. Algumas vezes são indicadas vitaminas complementares, prescritas por médicos e indicadas de acordo com a necessidade orgânica de cada pessoa.
Para Ramos, isso não significa que uma pessoa deva entrar em um supermercado e comprar vitaminas. Precisa haver um monitoramento destes complementos para que não sejam ingeridos em níveis altos ou baixos. De acordo com a doença, a idade, a dieta já realizada e os níveis das vitaminas no sangue é indicado um tipo tratamento. Por exemplo, as pessoas que moram na região mediterrânea têm uma alimentação saudável, rica em antioxidante. Nesse caso, não há necessidade de grandes doses de complementos vitamínicos.
A terapia contra doenças degenerativas é indicada a partir da quarta ou quinta década de vida, quando tem início a perda de reservas antioxidantes. Quando ainda não é detectado nenhum problema, é indicada para que o desgaste oxidativo seja contrabalançado, os órgãos consigam manter suas funções e doenças não apareçam ou tenham seu surgimento retardado. No caso da pessoa já apresentar alguma doença, o tratamento é recomendado com a finalidade de tentar diminuir sua progressão.
Doenças degenerativas são aquelas que acompanham o envelhecimento do corpo humano e fazem com que os órgãos percam suas funções genéticas. Por exemplo, quando o coração perde sua função, ocorre uma deficiência cardíaca; o pâncreas, diabete, e o cérebro, perda de memória. Existem casos de diabete tratada de forma medicamentosa e, quando a terapia antioxidante começa a ser realizada conjuntamente, a quantidade de drogas ingerida pelo paciente diminui, diz o médico.
A geriatria é preocupada com o futuro do paciente. Não detectamos e apenas tratamos a doença. Tentamos oferecer uma melhoria da qualidade de vida da pessoa ao longo do tempo, um envelhecimento saudável. Por isso sugerimos que nos procurem antes da fase considerada terceira idade (60 anos) para que possamos realizar uma ação preventiva, comenta Ramos.
Polêmica De acordo com o médico, a terapia antioxidante é polêmica. Existem médicos que dizem ser a solução para todos os problemas. Outros juram jamais utilizá-la, e há aqueles que acreditam ser o meio termo. É o meu caso. Nos últimos dez anos, tenho me interessado pelo assunto e, há cinco me envolvi com a causa. Na universidade, estamos desenvolvendo pesquisas neste campo e incorporando, na prática, este benefício.
Na opinião de Ramos, não existe a necessidade de extremismos. Não me considero um especialista ortomolecular e trabalho com as duas formas de tratamento: a terapia antioxidante e a medicamentosa. Depende de cada diagnóstico e também do paciente aceitar ou não esse tratamento alternativo, diz Ramos.


