Ter ou não ter
Luiz Cuschnir, supervisor do Serviço de Psicoterapia do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, fala das agruras da mulher quando tem de decidir entre ter ou não ter um filho.
- A mulher precisa ser mãe para se sentir completa?
Luiz Cuschnir - É quase impossível dizer que ser mãe completa a mulher. Há muitas que são mães, mas sempre buscam e esperam várias outras coisas da vida, que correspondem ao reconhecimento de suas qualidades e sentimentos. Agora, a maternidade dá a sensação de completude sim, de completar mais um pouco (ou bastante). Em trabalhos que faço, procuro evidenciar o espaço que a maternidade ocupa, porcentualmente, na vida de uma mulher, e tem o mínimo de 30%.
- Existe uma fórmula para tomar a decisão correta?
Luiz Cuschnir - Quando a mulher realmente se conhece, tem um projeto de vida consistente e está amadurecida, mais condições terá de decidir. Separar o que é circunstancial do que é essencial para sua vida pode ser uma fórmula para chegar a alguma decisão.
- O que fazer quando há uma pontinha de dúvida?
Luiz Cuschnir - A dúvida indica imaturidade, no mínimo. Isso, quando não considerado, pode acarretar dificuldades futuras, como depressão pós-parto ou demais quadros psicológicos.
- E como ter certeza de que, no futuro, não haverá arrependimento?
Luiz Cuschnir - Não se consegue certeza em nada. A vida será sempre muito diferente pelo simples fato de se ter um filho: maternidade é para sempre. E quem tem precisa saber que vai sofrer, por um motivo ou outro. Mas é difícil aparecer nas minha opinião alguma mulher que tenha se arrependido por ter virado mãe, mesmo aquelas que passam por fases de intenso sofrimento na relação conjugal ou na maternidade. (Agência Estado).





