Tentação vermelha
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de dezembro de 1998
Celso Mattos 
É quase impossível preparar uma receita sem que o tomate esteja presente entre os ingredientes. Usado em molhos, saladas e sucos, ele dá sabor e visual ao prato, mas também pode representar perigo à saúde devido a alta quantidade de agrotóxico recebida durante sua produção. É uma das hortaliças mais consumidas no Brasil. No entanto, não é originária desta região e nem da Itália, como muitos pensam. O tomate apareceu pela primeira vez no oeste da América do Sul, onde hoje ficam o Equador, o Peru e a Bolívia.
Com as grandes navegações e a descoberta do Novo Mundo, o tomate começou a imigrar para a Europa. O responsável por isso foi Cristóvão Colombo. Ele levou as sementes para a Espanha como lembrança de sua segunda viagem às Américas. Com o passar dos tempos, essa hortaliça foi se tornando popular no mundo inteiro, principalmente na forma industrializada. Basta uma rápida visita ao supermercado para perceber a variedade de extratos de tomates que lota as prateleiras.
O tomate se caracteriza também pelas inúmeras espécies que se difereciam no tamanho e sabor. As mais conhecidas são caqui, cereja e roma. O sabor do tomate pode mudar devido à temperatura, ao tipo de solo, à quantidade de luz ou se o cultivo for feito em estufa ou ao ar livre. Outro fator crucial para reter o sabor desta hortaliça é a acasião em que é apanhado. Quanto mais tempo for deixado na planta e, quanto mais depressa for comsumido depois de maduro, melhor será o sabor.
Mudança de hábitoO tomate não é apenas a hortaliça mais consumida no Brasil, mas também está entre as que recebem mais pulverização de veneno. Segundo o agrônomo Carlos Armênio Khatounian, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), um levantamento realizado numa cultura de tomate em Piedade (SP), detectou que a hortaliça recebe uma média de 36 pulverizações de agrotóxicos durante um ciclo de quatro meses. A cada dez tomates que a pessoa compra, quatro estão contaminados com resíduos de agrotóxico, diz o agronômo.
Carlos Armênio informa ainda que em um estudo feito pelo Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, em 1996, foi constatado que havia resíduos de veneno em 40% da amostra de tomate analisada. Diante deste quadro, o consumidor tem apenas duas opções: não comer tomate ou consumir apenas aqueles produzidos de forma orgânica, em que são utilizadas técnicas naturais do cultivo. No entanto, essa produção é muito pequena no Brasil, salienta.
O agrônomo explica que o tomate é muito sensível às doenças e às pragas. O clima brasileiro não é adequado para seu cultivo. O tomate pertence às regiões montanhosas da América Central, informa. Carlos Armênio ressalta que o uso de veneno nas lavouras mudou muito os hábitos alimentares dos brasileiros, pois permitiu o cultivo de legumes e verduras inadequados ao nosso clima. Deixamos de consumir hortaliças que têm uma adaptação melhor ao nosso clima, para dar preferência a outras que precisam de agrotóxico para se desenvolver, afirma o agrônomo.


