Na fábula da cigarra e a formiga, enquanto uma canta o verão inteiro e não se preocupa com o futuro, a outra trabalha sob o sol forte para se preparar para os rigores do inverno. Já no planeta sorvete, as estações se invertem. Isso porque as sorveterias aproveitam os dias mais frios se abastecendo para o longo verão brasileiro.
De acordo com Eduardo Sávio, que traz no sobrenome uma grife do mundo gelado, ''no inverno fazemos a manutenção das máquinas e pensamos nos lançamentos'', conta. Para o Verão 2006, dois picolés devem chegar aos freezers da Sávio Sorvete nas próximas semanas. O picolé de brigadeiro e o supremo branco (massa no palito) vão se unir aos quase 30 sabores de massas e aos 35 sabores de picolés, copos e potes, chamada de linha impulso. ''São os sorvetes que ficam nos freezers dos pontos de venda'', explica Sávio.
Já na linha de sorvetes de massa, as novidades têm sotaque e sabores italianos. Os tradicionais ''gelatos'' inspiraram a criação de duas marcas de sorvetes artesanais, Contento e Mister Cuca. De acordo com Gustavo Calderaro, do Mister Cuca, os sorvetes são preparados no mesmo dia em que vão ser servidos, na maioria das vezes poucos minutos antes de irem para a vitrine gelada. ''Fazemos um revezamento entre os 40 sabores'', explica Calderaro. Para a clientela, a surpresa é diária. Mas um sabor especial tem lugar garantido por conta da grande saída: o Mister Cuca Mania, uma mistura de nata, calda de morango e chocolate e castanha de caju.
A criação própria leva a assinatura de Maria Angélica Calderaro, mãe de Gustavo e a mão doce da confeitaria. Há cerca de dois anos, ela passou uma temporada na Itália descobrindo alguns segredos das gelaterias de lá. ''O diferencial é que ao contrário das indústrias de sorvete, a gente não precisa seguir um mesmo padrão, tanto é que nem sempre servimos os mesmos sabores'', conta Gustavo.
De acordo com números oficiais, a média de consumo por pessoa é de apenas dois litros de sorvete por ano. Na Europa, a número pula para 15 litros e, nos Estados Unidos, a média dispara nos 25 litros anuais. ''Mas isso já está mudando'', afirma Calderaro. ''O brasileiro começa a ver o sorvete como alimento, assim como na Europa'', garante.
''No Brasil, o sorvete ainda é associado à refrescância'', explica Eduardo Sávio, que percebe um aumento significante de consumidores na mesma proporção do aumento da temperatura. ''Apesar de terem definido a entrada da primavera como o Dia do Sorvete, as vendas se aquecem a partir de outubro, novembro'', completa Sávio.
Entre as novidades geladas para os londrinenses, as delícias têm pitadas internacionais. No Mister Cuca, o lançamento é o sorvete de mascarpone (creme à base de queijo com sabor suave) com calda de framboesa. ''Mas a gente pode variar colocando uma calda de laranja, por exemplo'', diz Calderaro. Na Espucreme, o sotaque é germânico no novíssimo sabor torta alemã, uma mistura de creme, chantily e pedaços de chocolate.
A maringaense Espucreme já está em Londrina há 11 anos sob o comando de Paulo César Bernardi. Além de sabores campeões de audiência, como o chocolate suíço e o premiado damasco ao vinho, a sorveteria tem apostado nos saborosos sorvetes light, sem adição de açúcar. Como diferencial, ainda completam a delícia com cobertura igualmente sem açúcar. É claro que o número de opções ainda é menor que os tradicionais.
Outra novidade programada para o verão também já caiu no gosto da clientela da Espucreme, o danoninho, um sorvete de iogurte na mesma consistência daquele ''que vale por um bifinho''.

mockup