Tenho certeza que isso vai refletir na idade adulta
A pedagoga, psicóloga e professora do departamento de Educação da Universidade Estadual de Londrina, Marta Silene Ferreira Barros, explica que a criança representa no desenho a sua maneira de ver o mundo e a realidade em que vive. "O educador deve questionar os detalhes do desenho para conhecer mais esta criança. O desenho possibilita resgatar sentimentos, emoções e coisas que estão angustiando os pequenos", orienta. Além de possibilitar o desenvolvimento das funções psicológicas superiores da criança (que incluem a consciência, o pensamento, a percepção, a memória e a criatividade), a professora afirma que o desenho é uma ótima forma de desenvolver a psicomotricidade fina.
Foi justamente com objetivo de desenvolver habilidades e estimular a criatividade dos filhos que a professora Daisy Ferrari Jacomini Gorni, de 51 anos, optou por matricular os filhos Pietro, de 7 anos, e Lucca, de 9, na aula de artes. "Eles começaram a desenhar com cerca de 3 anos de idade e eu percebi que eles gostavam muito e até tinham uma certa habilidade. Há dois anos eu os levo na aula de desenho e eles adoram", conta a mãe.
Quando sentam na mesa com os lápis a atenção dos meninos fica completamente voltada para o papel e a imaginação voa solta. Enquanto Pietro cria monstros, dinossauros e casarões abandonados, Lucca se dedica aos minuciosos detalhes de tratores e colheitadeiras. "Eu vou no sítio e coloco no desenho as coisas que vejo lá. O que eu mais gosto de desenhar são as máquinas agrícolas", destaca o menino. Pietro, com seus monstros cheios de olhos e braços, afirma que, diferentemente dele, nem todos os seus amigos da escola gostam de desenhar, apesar da professora estimular o hábito dentro da sala de aula.
Para a mãe, os meninos só têm a ganhar com as aulas de desenho e artes. Ela percebe que eles ficam calmos e relaxados quando estão com lápis e papel nas mãos. "Tenho certeza que isso vai refletir na idade adulta. Talvez eles queiram seguir algum tipo de profissão ligada ao desenho", reflete. Daisy acrescenta que o hábito de desenhar e as aulas paralelas melhoraram a autoconfiança de Lucca e Pietro. "Eles são muito seguros na hora de desenhar", complementa. (M.A.)





