No momento em que o burburinho das passarelas nacionais ganha cada vez mais espaço na mídia e desperta a atenção geral, nada mais natural que cada região do País procure atrair os holofotes sobre si. Impulsionados pelo sucesso do MorumbiFashion, em São Paulo, estados como Rio de Janeiro e Minas Gerais já têm um calendário de desfiles consolidado para apresentar os lançamentos de suas marcas mais significativas. Por aqui, tentativas não faltam.
O Moda Paraná, que aconteceu semana passada em Maringá, é uma das mais pretensiosas. Já na quarta edição, o evento une feira de negócios e desfiles, definindo-se como a vitrine da moda produzida no Estado. A maioria das confecções que desfilaram sob selo ‘‘Marcas Paranᒒ, entretanto, é das regiões de Maringá e Cianorte. Londrina foi representada pela Overloque, La Praia e Studio 20; Curitiba, apenas pela Sexxes. Grifes importantes como Sílvia Doré, Pura Mania, Drop Dead e Jefferson Kulig, só para citar algumas, ficaram de fora.
Na passarela, anos 80, Carmen Miranda, muitas cores e jeans com os mais diversos tipos de interferências: dos brilhos sutis às tachinhas, passando pelos efeitos dirty e tie dye. Apesar de demonstrarem estar up to date com as tendências, de forma geral faltou à maioria das marcas dar o seu toque pessoal. Afinal de contas, é o que se espera de quem tem o objetivo de se tornar um pólo de criação de moda, e não apenas de produção de roupa.
Ainda mais quando se constata o interesse das indústrias do setor em exportar seus produtos. Segundo pesquisa realizada com empresas paranaenses, 67% delas querem expandir as vendas para além das fronteiras brasileiras. O momento é mais que propício, pois o mundo parece ter voltado os olhos para a moda tupiniquim. Mas já foi o tempo de repetir fórmulas prontas. Mais do que nunca, é preciso buscar identidade.
O caminho para isso o próprio evento já tem: um concurso para estimular a criatividade de estudantes de moda e profissionais da área, que deveria ser tratado pela organização como o ponto alto da programação. Este ano, 12 finalistas apresentaram criações baseadas no tema ‘‘etniarua.com’’, evidenciando a mistura das diferentes culturas que formam o povo paranaense. Elementos como café, palha e estopa apareceram com frequência, mas quase sempre vieram sem interpretação, como se da fase de pesquisa, os candidatos passassem imediatamente para a execução.
Representando literalmente a cara da população – com fotos coladas sobre um longo vestido branco – o artista plástico maringaense Paolo Roberto Ridolfi ficou com o segundo lugar. A vencedora foi Alzenir Alencar, estudante de moda do Cesumar (Centro de Estudos Superiores de Maringá), que criou um look 2 em 1: vestido de casca de árvore destacável, que se transforma em esteira de praia, revelando saia rosa, top prata e dobraduras orientais, sua visão particular da evolução da mulher paranaense.

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