Berço das mais elegantes grifes de chocolate do mundo, a Bélgica promete revolucionar outra vez um mercado que vem se tornando mais sofisticado e voltado para entendidos. Aos poucos, cria-se um vocabulário novo para a arte de fabricar e degustar chocolates. É quase como com os vinhos. As safras e o processo de produção fazem toda a diferença no resultado final e nos preços.
  A primeira revolução no mercado de chocolates aconteceu na capital belga, mais precisamente na chocolaterie Neuhaus, em 1895, quando foram inventados os pralinés (chocolates recheados). A Neuhaus, primeira chocolaterie da Bélgica, abriu suas portas em 1875.
  A Bélgica pode não ser o maior produtor, quando se fala em quantidade, mas certamente é de lá que saem os chocolates de melhor qualidade do mundo. O posto é disputado com a Suíça e a França.
  Dos grandes fabricantes aos chocolatiers artesanais, o que se vê na Bélgica é um mercado variado e uma disputa acirradíssima pelo paladar do consumidor. Não é à toa que a loja The Chocolate Company, no aeroporto de Bruxelas, é o maior vendedora de chocolates do mundo, com 650 toneladas por ano ou mais ou menos dois quilos para cada minuto de trabalho.
  Pode-se elaborar um roteiro do chocolate na Bélgica, partindo-se dos grandes chocolatiers de Bruxelas, até os fabricantes mais artesanais fora da capital. Em Namur, a Galler mantém um restaurante. Cada prato, da entrada à sobremesa, tem como um dos principais ingredientes o chocolate. O pato com molho de cereja preta, chocolate branco e aspargos é um exemplo. Já na cidade de Bruges, hotéis de todos os níveis chegaram a montar pacotes com nomes de chocolates, que incluem uma visita ao museu do chocolate da cidade, o Choco-Story.
  Aos 40 anos, o belga Pierre Marcolini é uma referência internacional quando se fala em chocolate. Suas lojas vendem um produto artesanal e de alta qualidade. No mercado há apenas 10 anos, ele rivaliza com marcas seculares, como Godiva e Neuhaus. A diferença é que Marcolini se ocupa de todo o processo de produção, da colheita do cacau à comercialização. A empresa compra cacau de sete países e chega a arrematar colheitas inteiras com exclusividade. Cada safra de cacau é um novo sabor. Há ainda o que ele chama de chocolates millésimes, como acontece com o champagne, feitos a partir dos melhores anos das colheitas.
  O mercado na União Européia conta com 1.800 empresas, 250 mil empregados, 45 bilhões de euros em faturamento, 3,5 bilhões de euros de receita com exportações para fora da União Européia. A indústria de chocolates é a maior consumidora de açúcar refinado do mundo (três milhões de toneladas por ano) e de cacau, comprando 48% de tudo o que é produzido.
  Num ranking de 19 países que mais consomem chocolate no mundo a Suíça está em primeiro lugar com 10,3 kg per capita/ano. O Brasil está na última posição com 0,9 kg, segundo a Associação das Indústrias de Chocolate, Biscoitos e Confeitos da União Européia.n

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