A alergia é uma doença que atinge cerca de 30% da população mundial, segundo dados da Organização Mundial da Saúde. Aproximadamente 35% dos brasileiros sofrem com doenças alérgicas, entre elas a asma, que atinge quase 16 milhões de pessoas e é a quinta maior causa de internações no Sistema Único de Saúde (SUS), conforme dados do Ministério da Saúde. Um estudo recente do International Study of Asthma and Allergies in Childhood (ISAAC), coordenado no Brasil pelo professor Dirceu Solé, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp-EPM), envolveu mais de 30 mil crianças até 14 anos, demonstrando a prevalência de asma. Entre os 13.204 escolares entrevistados, a prevalência oscilou entre 4,7% e 20,7%; entre os 17.555 adolescentes entrevistados, a prevalência esteve entre 4,8% e 21,9%.
Depois da desnutrição, a asma é a doença crônica mais comum na infância. Em ambulatórios gerais, a asma tem sido responsável por 5% das consultas pediátricas. Em serviços de urgência pediátrica atinge até 16% dos atendimentos e, entre adultos, ao redor de 12%. No Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), são atendidas mensalmente mais de mil pessoas com problemas alérgicos, entre adultos e crianças. No Pronto Socorro do Instituto da Criança do mesmo hospital, cerca de 40% das consultas estão relacionadas a problemas respiratórios e alergia.
Vírus Nesta época do ano, as inversões térmicas, aliadas às dificuldades da dispersão dos poluentes e uma maior concentração de pessoas em lugares fechados, favorecem o desenvolvimento de alguns vírus, como o sincicial respiratório e o adenovirus, que desencadeiam sintomas alérgicos. Entre as alergias respiratórias, a rinite alérgica é a mais frequente, atingindo cerca de 15% a 20% da população mundial. Assim como as demais doenças alérgicas, a rinite apresenta forte caráter genético, com incidência maior entre os indivíduos cujos pais são alérgicos. Estudos revelam que a chance de um casal ter filho alérgico é de 15%. Contudo, quando um dos pais é alérgico essa chance sobe para 30% a 50% e, quando ambos os pais são alérgicos passa para 50% a 70%.
Clinicamente, os sintomas mais comuns são: nariz entupido, coriza, espirros constantes, sensação de ‘‘cabeça pesada’’, coceira nos olhos, no céu da boca e na garganta, dificuldade de concentração no trabalho ou na escola e distúrbios do sono. Além disso, otites recorrentes, sinusites frequentes e sangramentos nasais podem ter como origem a rinite alérgica. Fatores como poeira doméstica; ácaros da poeira; bolores; pele, urina e pêlos de animais; baratas; pólens; odores fortes e fumaça de cigarro podem atuar como desencadeantes ou agravantes das crises.
Urticária As alergias compreendem ainda outras doenças, como a urticária, o angioedema e a dermatite atópica (DA). A dermatite atópica é uma inflamação da pele que pode acometer as dobras do corpo, braços, pernas e joelhos, deixando a pele bastante ressecada, coçam muito e frequentemente associam-se a outras doenças alérgicas como asma e rinite alérgica. Segundo Inês Cristina Camelo, alergista do Hospital São Paulo, elas ocorrem principalmente na infância, sendo que 60% a 80% dos casos iniciam-se no primeiro ano de vida e, 95% até os cinco anos de idade. Vários fatores podem atuar desencadeando ou agravando o quadro, como poeira, ácaros, fungos, pêlos de animais, baratas etc.; alimentos; corantes e aditivos alimentares; substâncias químicas; estresse físico e emocional.
A urticária é uma lesão cutânea caracterizada pelo súbito aparecimento de placas avermelhadas e inchadas que coçam muito. O angioedema é uma erupção semelhante à urticária, porém, com o surgimento de áreas ‘‘inchadas’’ mais extensas, principalmente na região ao redor dos olhos, orelhas, lábios e genitália. Alguns dos possíveis agentes causadores da urticária e angioedema: medicamentos, alimentos e aditivos alimentares, infecções e infestações parasitárias, picada de insetos, entre outros.
Alergias diferentesPesquisas internacionais e casos clínicos no Brasil mostram que as pessoas têm reações alérgicas pouco comuns, como alergia a esperma. Dados recentes de uma pesquisa da Associação Nacional de Alergia e Asma (DAAB), de Mönchengladbach, na Alemanha, comprovam que algumas mulheres têm esse tipo de reação alérgica. As que são acometidas pelo mal podem sofrer reações imediatas de dor e erupções cutâneas. Segundo a pesquisadora Andrea Wallrafen, diretora da DAAB, algumas têm ainda irritação na pele, vômitos, diarréias e reações alérgicas após o ato sexual. A urticária e a asma são as reações mais comuns e, em alguns casos, mulheres podem até desenvolver asma ou choque anafilático.
Hoje, sabe-se que a alergia ao látex, um dos componentes da borracha, pode ocorrer em determinados grupos de risco como profissionais de saúde (médicos, enfermeiros e técnicos), o que poucos sabem é que pacientes com alergia ao látex podem apresentar reações cruzadas com a banana, o kiwi ou o maracujá. Se um paciente alérgico ao látex ingerir, inadvertidamente, uma banana por exemplo, poderá apresentar uma reação grave. Vale lembrar que, no Brasil, os preservativos apresentam látex em sua composição, que pode dificultar sua utilização em pacientes com alergia a esse elemento.
As alergias alimentares também podem surpreender a população. A alergia ao leite de vaca é relativamente comum, na faixa etária pediátrica (bebês). Contudo, os principais responsáveis pelas alergias alimentares são os corantes, conservantes e aditivos existentes em muitos alimentos industrializados. Estas alergias podem levar o alérgico à morte por uma reação anafilática, como no caso de picada de formiga, segundo Ana Paula Beltran Moschione Castro, alergista da SBAI.

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