Tempero baiano na passarela
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quinta-feira, 30 de julho de 1998
Rosângela Vale 
Ela tem a ginga da mulher brasileira e o porte da européia. As formas do corpo parecem esculpidas: bumbum arrebitado, pernas longilíneas, e para arrematar, olhos intensamente azuis. A beldade em questão é a baiana Adriana Lima, 17 anos, 1.79m, 54 quilos, que iluminou as passarelas do MorumbiFashion, semana passada, em São Paulo.
DivulgaçãoEncarnando a mulher sofisticada da BeneduciMorando em Nova Iorque há dois anos, onde divide apartamento com o namorado argentino, um fotógrafo de moda, ela trocou a temporada de alta-costura de Paris pelos desfiles brasileiros - fez quase todos. Sentia que devia algo ao meu país; fiquei muito tempo longe daqui, justifica. Se dependesse dela, talvez não tivesse saído do Brasil tão cedo. Não critico o mercado nacional, mas acho que os profissionais não têm visão, não sabem olhar para uma modelo prevendo o que ela pode render, alfineta.
Foto: Karla MatidaOlhos intensamente azuis e cara de garota: maquiada para o desfile da ZoompAdriana sabe o que diz. Quando venceu a final do concurso Antarctica Super Model,
em 96, não teve oportunidades de trabalho por aqui. Nada de editoriais em boas revistas e poucas chances nas passarelas: fez menos de cinco desfiles na primeira edição do MorumbiFashion, há dois anos. Precisei acontecer lá fora para ser reconhecida no Brasil. Faltou confiança, reclama.
Com um currículo recheado, incluindo campanhas para as marcas Blumarine e Moschino, e editoriais para as revistas Vogue America, fotografada por Steven Maisel, e Marie Claire, por Patrick Demarchelier, dois dos mais importantes fotógrafos de moda atuais, Adriana está sempre no casting dos desfiles internacionais do circuito Milão-Paris-Nova Iorque. Também já foi clicada pela alemã Ellen Von Unwerth, que lhe abriu as portas do métier. Cheguei só com duas fotos no meu book, mas ela soube enxergar o meu potencial, conta.
Seu sucesso, entretanto, não foi embalado pelo sonho de ser modelo. Antes do concurso nunca tinha lido uma revista Elle, e se alguém me perguntasse quem era Naomi Campbell eu não saberia responder, lembra, como se fosse um devaneio do passado.


