Até os 10 anos de idade, os gêmeos Wagner e Wander Godoi, 29 - funcionários públicos -, usaram roupas iguais, variando somente as cores. Sempre foram da mesma turma na escola. Serviram o Tiro de Guerra juntos. Foram aprovados no mesmo concurso público. Cursam a mesma faculdade. Nunca passaram muito tempo longe um do outro.
''Quando estávamos na quinta série ficamos em salas separadas, mas eu sofri muito com isso. Acabamos voltando a estudar juntos e não nos separamos mais'', conta Wagner. Ele lembra que certa vez foi aprovado na primeira fase de um concurso público e o irmão não. ''Fui fazer a segunda fase triste, com o coração realmente apertado. Acabei nem passando nesta etapa'', lembra.
Os irmãos relatam que sempre foram tratados como se fossem a mesma pessoa e admitem que isso pode não ter sido tão positivo na vida deles. A mãe Marli Luchini Moreira afirma que antes não havia tanta orientação sobre como educar gêmeos. ''A escola, por exemplo, nunca me orientou a deixá-los em salas separadas, explicando que isso seria melhor para eles'', diz, ressaltando que quando os filhos tinham cerca de 18 anos passaram por um tratamento psicológico para conseguirem lidar melhor com a situação.
A semelhança física de Wagner e Wander impressiona, mas as personalidades são diferentes. Em pouco tempo de conversa já é possível perceber algumas particularidades. Um é mais extrovertido e o outro mais tímido. 'Nós somos muito amigos, muito próximos mesmo. Minha mãe chega a dizer que gostamos mais um do outro do que dela. Mas ela tem que entender que a gente já estava junto antes de conhecê-la'', brincam.
Questionados sobre a possibilidade de terem que se separar um dia, eles dizem que estão preparados para isso, mas não descartam a ideia de sempre morarem perto.
De acordo com o neurologista José Aparecido Andrade, não existe nenhum estudo científico que comprove que a ligação de gêmeos é maior do que a de outros irmãos. O que existe, segundo ele, é uma grande probabilidade de gêmeos idênticos desenvolverem a mesma doença. ''Estudos apontam que existe uma forte tendência, que varia entre 90% e 95%, de desenvolverem a mesma patologia. No caso de gêmeos não idênticos, essa propabilidade é de 50% ou 60%'', afirma o médico. (P.C.B.)

Imagem ilustrativa da imagem 'Temos uma ligação muito forte'
| Foto: Fotos: Olga Leiria
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Wagner e Wander Godoi, 29 anos, sempre foram tratados como se fossem a mesma pessoa e admitem que isso pode não ter sido tão positivo na vida deles
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