Apesar de o Brasil ser considerado a terra do bumbum, há quem garanta que os olhares masculinos mudaram de foco, repousando, observadores e maliciosos, sobre os relevos do decote. A moda incentivou esse novo olhar, criando armadilhas fatais para prender a atenção - e o fôlego - dos homens: tomara-que-caia, transparências, um ombro só... Às mulheres só restou a rendição. Afinal, qual delas resiste a um apelo fashion? Para seguir essa moda, entretanto, não basta só vontade. É preciso ter peito. Até mesmo para mudar a anatomia e ganhar novo ‘‘recheio’’ se for necessário.
É o que vem fazendo uma parcela considerável de mulheres nos últimos anos. Não julgando suficientes os artifícios que enganam aos olhos - como os sutiãs que erguem e dão volume aos seios pequenos -, muitas delas têm preferido uma solução mais palpável, optando pelo silicone. Segundo o cirurgião plástico Manoel Calland, 23 anos de profissão, a procura pela cirurgia de correção dos seios não é um sinal dos tempos. ‘‘O volume de cirurgias de mama sempre foi maior em relação a outras parte do corpo. Só que hoje há mais divulgação’’, observa.
Foi por meio da mídia, aliás, que várias candidatas à cirurgia de aumento dos seios desistiram da empreitada quando souberam, em 93, que mulheres de todo o mundo tiveram problemas com o silicone implantado. Só do Brasil foram, aproximadamente, 1.200 pedidos de indenização aos fabricantes norte-americanos do produto, numa ação coletiva que se arrasta até hoje. (leia box)
‘‘Na época em que houve toda essa polêmica, é evidente que a procura pela cirurgia diminuiu, mas hoje já está normalizada’’, garante Calland. De acordo com ele, um dos inconvenientes da prótese é o possível rompimento da cápsula que envolve o silicone. ‘‘Mas até agora não se conseguiu provar que isso causa algum tipo de problema à saúde. No entanto, os estudos mostram que, por uma questão de segurança, é preciso trocar a prótese a cada 10 ou 12 anos, além de fazer um acompanhamento médico anual para checar a integridade da cápsula’’.

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