Se fosse questionado sobre o significado da paternidade, o médico angiologista e cirurgião vascular José Manoel da Silva Silvestre, 42 anos, certamente daria uma resposta bem diferente dos pais convencionais. É que há três anos, ele vive uma experiência que, para muitos homens, pelo menos à primeira vista, seria assustadora: assumir integralmente a responsabilidade pela educação dos filhos pré-adolescentes.
Uma de suas primeiras providências ao assumir a dupla função de pai e mãe foi diminuir a jornada de trabalho, que era de 14 horas, para 12 horas diárias, com direito a almoço e jantar junto com Guilherme, 13 anos, e Luciana, 12. Apesar de contar com a ajuda da empregada nos afazeres domésticos, é ele quem se encarrega das compras no supermercado, dos cuidados com a vestimenta dos filhos, tarefas escolares, médicos e dentistas. ''Mas, se por um lado há uma sobrecarga de afazeres, por outro há uma aproximação muito grande no lado afetivo'', observa José Manoel.
Para ele, tratar de alguns assuntos mais íntimos com Luciana, como o seu relacionamento com meninos, talvez seja a parte mais difícil da história toda. ''Percebo que ela não se solta muito, apesar de a gente conversar bastante'', diz. De acordo com o médico, seu trabalho em casa acaba sendo facilitado porque os filhos são bastante tranquilos. ''Acho que a privação da presença constante de um dos pais acaba fazendo com que as crianças amadureçam mais rapidamente'', argumenta.
Outro ponto importante, segundo ele, é saber administrar a ausência, já que o trabalho consome a maior parte de seu tempo. ''Procuro permitir sempre o acesso fácil para as horas difíceis. Eles se sentem seguros ao saber onde me localizar a qualquer hora do dia. Sempre atendo ao telefone, e a secretária está orientada a passar as ligações até quando estou em consulta. Assim, mesmo não estando presente, eles se sentem amparados. Sabem que sou o porto seguro deles e que podem contar comigo''.

mockup