Karla Matida

César Augusto‘‘moça do tamborim’’ Vanessa Fonseca de Freitas: elogios do mestreNa rota do samba, o batuque sempre foi um reduto dos homens. Claro que o tempo passa, o tempo voa e as coisas mudam. Sorte das mulheres, que agora invadem, ainda timidamente, os postos antes restritos ao sexo masculino. No melhor estilo clube do bolinha.
Um bom exemplo da chegada sutil das luluzinhas é a arquiteta Vanessa Fonseca de Freitas, 26 anos, uma das integrantes da conhecida e já tradicional Bateria Wet. Em oito anos de formação, o líder da bateria Hélio Takeda, já viu passar muitos percussionistas, mas somente uma mulher, Vanessa, conseguiu fazer da trupe.
‘‘E não é porque ela é amiga ou mulher, ela realmente toca, e toca muito bem’’, garante Takeda, que foi quem deu os primeiros ensinamentos de batuque para Vanessa, há cerca de três anos. E entre todos os instrumentos, ela acabou escolhendo o tamborim. Justamente ‘‘o mais difícil de tocar em uma bateria’’, explica Takeda.
‘‘É a graça da bateria’’, justifica Vanessa, que sempre teve um gosto especial pelo tamborim. A paixão por instrumentos musicais vem de longa data. ‘‘Sempre quis tocar bateria, mas minha mãe não deixava’’, lembra.
Preparando-se para o terceiro Carnaval consecutivo, Vanessa diz que já ouviu muitos ‘‘olha a moça do tamborim’’. Cantadas atrevidas? Ela conta que agora tem uns ‘‘15 guarda-costas’’, numa alusão aos integrantes da bateria, ‘‘que ficam me defendendo’’.

‘‘No começo, eles (os integrantes) ficaram meio desconfiados. O que essa moça está querendo aqui?’’, lembra Vanessa. Mas foi só no começo. ‘‘Hoje já estamos bem entrosados’’, garante. E para que todos fiquem ainda mais afinados para o Carnaval, a bateria vem ensaiando todos os dias desde janeiro, com direito até ao aquecimento com a presença de um público entusiasmado no Iate Clube de Londrina. ‘‘São ensaios abertos, mesmo assim a gente não pode errar’’, explica Vanessa, que toca em média três horas por noite.
‘‘Sempre há mulheres interessadas em tocar na bateria’’, conta Hélio Takeda. ‘‘Mas elas já querem sair tocando, e não é assim’’, acrescenta ele, que faz questão de enfatizar que ‘‘as mulheres são sempre bem-vindas’’. No entanto, persistência e dedicação são essenciais. A gratificação, segundo Vanessa, é ‘‘quando um arranjo novo dá certo e a gente vê que o pessoal gostou’’.

mockup