Mais força, melhoria da coordenação motora e o consequente aumento da auto-estima são alguns dos benefícios que a prática do treinamento com peso pode trazer às crianças. Encarada como atividade ''proibida'' para os menores, a popular musculação, na verdade, melhora o preparo físico sem prejuízo do crescimento ou risco de lesões.
Esses dados são sugeridos por uma pesquisa que vem sendo realizada há dez anos pelo professor Arli Ramos de Oliveira, dos departamentos de Educação Física e Esporte da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Ele coordena um projeto de treinamento com pesos em crianças de sete a 13 anos. Durante quatro meses, os voluntários são submetidos a exercícios e constantemente avaliados pela equipe. Atualmente, o trabalho com as crianças é comandado pelo estudante Gustavo Aires de Arruda, bolsista de iniciação científica da Fundação Araucária.
Os resultados contrariam os mitos de que a musculação impede o crescimento, provoca lesões e hipertrofia os músculos. Pelo contrário, Oliveira constatou que os participantes do projeto alcançaram índice de crescimento igual ou superior à média nacional. E por não possuirem hormônios que promovem o desenvolvimento dos músculos, eles ganham apenas tonicidade, sem hipertrofia. ''Por mais que treinem, as crianças não ganham músculos'', esclarece. Como os exercícios são individualizados e supervisionados, o risco de lesões é inexistente.
Crianças mais fortes
O objetivo da musculação é promover o ganho de força. Professor e aluno explicam que, mais fortes, as crianças desenvolvem melhores condições de socialização e passam a realizar com mais eficiência as atividades cotidianas. ''Além disso, o treinamento previne lesões e melhora o desempenho na prática de outros esportes'', diz Oliveira. Outra vantagem é a melhor percepção do esquema corporal.
Alguns cuidados são necessários para evitar problemas às crianças na prática da musculação. Acostumado a atender grupos de alunos entre sete e 13 anos, Arruda explica que os programas são individualizados, respeitando as particularidades de cada um. A supervisão constante é outro cuidado necessário para evitar acidentes e mesmo lesões resultantes da prática errada de alguns movimentos. Os equipamentos são ainda adaptados ao tamanho de cada pequeno atleta.
Confiança e diversão
E como convencer crianças a realizar séries repetitivas? O segredo, de acordo com Arruda, é motivar através de atividades lúdicas. O aquecimento, por exemplo, é sempre feito com jogos. Premiações e o trabalho em duplas, utilizando o próprio corpo para realizar os exercícios, são outras alternativas.
Aluno do projeto no ano passado, Ricardo De Bom da Silveira, 12 anos, se inscreveu na musculação com o objetivo de melhorar a forma. ''Fiquei mais confiante e com mais força de vontade para fazer exercícios'', conta ele, que continua fazendo as séries em casa com auxílio da mãe, que é professora de educação física.
Matheus Fernando Rodrigues Leite, 11, também aponta a melhoria no desempenho das atividades do dia-a-dia e a melhor forma física como resultados positivos do treinamento. ''Além disso, foi bem divertido aprender os exercícios'', comenta o garoto.

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