Celso Mattos
A maioria dos jovens que termina a universidade sonha em pegar o diploma e conseguir um emprego com salário fixo e carteira assinada. Mas as recentes mudanças nas relações de trabalho e a crescente onda de desemprego estão criando uma nova mentalidade nos recém-formados: a do empreendedorismo. Com uma idéia na cabeça e pouca ou nenhuma experiência, muitos jovens profissionais estão preferindo correr os riscos de abrir um negócio próprio do que ficar meses ou anos batalhando por um emprego.
A grande dificuldade que esses jovens empresários enfrenta, é a falta de preparo teórico e prático, pois as universidades ainda continuam formando profissionais para ser empregados e não empresários. ‘‘As universidades também precisam ser empreendedoras’’, defende a professora Cleusa Rocha Asanome, coordenadora do projeto Genorp/Genesis, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que tem como meta gerar empreendimentos em software, informações e serviços de qualidade mundial. ‘‘Muitos dos jovens empresários, que estão no mercado na área de software, passaram pelo Genorp quando eram estudantes’’, acrescenta a professora.
O recém-graduado em Ciência da Computação, Rodrigo de Castro Torres, 22 anos, é um deles. No início do ano passado, ele abriu a Meta Software em sociedade com seus amigos Roberval Moreno, 24 anos, e Ricardo Honorário, 23 anos. ‘‘Sempre sonhei em ser empresário porque acredito que as perspectivas profissionais são maiores. Hoje em dia, ter carteira assinada não garante segurança ou prosperidade a ninguém. Quem está a fim de vencer profissionalmente não pode ter medo de correr riscos’’, afirma Rodrigo Torres.
Arquivo Folha‘‘Todos os cursos deveriam ter uma disciplina de empreendedorismo no currículo’’, propõe a professora Cleusa Rocha AsanomeParcerias Para quem está pensando em seguir o mesmo caminho, ele avisa: ‘‘É preciso estar preparado para trabalhar muito e não ter horário para nada. No começo foi difícil para mim, e ainda está sendo, mas agora já estou colhendo os frutos do meu investimento’’. A Metal Software já tem no mercado o Dental Soft, um programa para dentistas; o Meta CR - um programa de redação que ele começou a desenvolver dentro do Genorp quando ainda era estudante; e outros para postos de gasolina e clínicas médicas. ‘‘É preciso fazer parcerias, estar aberto a relacionamentos e, principalmente, ter muita persistência’’, diz Rodrigo.
Cristiane Neumann, 24 anos, que se formou em Administração no ano passado, acabou de abrir sua empresa, a Nauta Art e Design, com mais sete amigos. Dois artistas plásticos e cinco graduados em Desenho Industrial. ‘‘Todos me chamam de Branca de Neve e os sete designers’’, brinca. A empresa é especializada em fazer folders, banners, embalagens, home-pages, capas de CD-ROM para a área de informática. A Nauta ainda não tem nem CGC e já está fazendo parcerias com o Projeto Genesis de Pato Branco e com a Mastersoft, um empresa italiana que atua na área de design.
‘‘É um desafio trabalhar com tantos sócios, mas, por outro lado, são oito cabeças para pensar e criar coisas diferentes’’, diz. Cristiane Neumann está empolgada com as perspectivas que estão surgindo. ‘‘Este é um ramo que está em falta no mercado. Fomos, inclusive, a Fenasoft, em São Paulo, apresentar nossos trabalhos e projetos’’, informa. ‘‘No começo, eu não estava muito interessada em ser empresária, mas as coisas estão caminhando tão rápido e positivamente que acabei me convencendo de que esta pode ser a grande chance da minha vida’’, comenta.
Exportação Os jovens empresários Chrystian Teodoro, 24 anos, e Cristina Yzumi, 23 anos, ambos formados em Ciência da Computação, abriram a Arandu Sistemas depois de ficar dois anos estagiando no Genorp. ‘‘Foi lá que nós aprendemos a ser empreendedores’’, afirma Chrystian. A empresa, que funciona na Incubadora Industrial de Londrina, já está começando a exportar seus softwares para outros países. Mas nem sempre foi assim. ‘‘No primeiro ano, nós pagamos para trabalhar; no segundo, equilibramos os gastos e, agora, no terceiro, estamos começando a ganhar dinheiro’’, contabiliza Chrystian Teodoro.
Nesse pouco tempo de existência, a Arandu desenvolveu vários softwares, como o Agdas, para assistentes sociais, gerentes administrativos e financeiros de incubadoras empresariais e escolas de línguas, e um software econômico para ser usado em prefeituras. ‘‘São boas as nossas perspectivas’’, afirma Chrystian Teodoro.Jovens recém-formados trocam a comodidade de um emprego com carteira assinada para enfrentar o desafio de ser empresários
Daniel Procópio‘‘Sempre quis ser empresário porque acredito que as perspectivas são melhores’’, diz Rodrigo de Castro TorresDaniel ProcópioChrystian Teodoro e Cristina Yzumi contam que no começo tiveram que pagar para trabalhar, mas agora estão colhendo os frutos do investimento

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