Telhado Vivo
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quinta-feira, 29 de maio de 2014
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Usar o telhado para fazer jardins pode parecer absurdo para alguns, mas a técnica lentamente vem se espalhando no Brasil. Na Europa e nos Estados Unidos o chamado "telhado verde" já é algo comum e, além de embelezar a paisagem, traz maior conforto térmico, permite que seja captada a água da chuva e até trata resíduos.
Também conhecida como cobertura viva, cobertura vegetal ou telhado vivo, o telhado verde promove isolamento acústico, economia de energia, redução das ilhas de calor nos centros urbanos e reaproveitamento de água. Segundo o engenheiro agrônomo João Manuel Feijó, diretor da Ecotelhado, empresa de Porto Alegre especializada em infraestrutura verde, o telhado ecológico também aumenta a biodiversidade e reduz a poluição nas cidades.
A empresa possui dois sistemas de telhado verde. Um faz o reaproveitamento de água para irrigação do próprio telhado verde e outro possui uma cisterna própria para captação de água, que será reutilizada internamente no local.
No primeiro caso, o sistema pode ser instalado em qualquer cobertura, independentemente do tipo de empreendimento. Já o telhado com cisterna pode ser feito sobre laje reta, sem inclinação. É feita uma impermeabilização para não haver infiltração. A água armazenada pode ser usada em sanitários e outros fins não potáveis.
A empresa também desenvolveu um sistema de tratamento de resíduos orgânicos integrado ao telhado verde, formado por um digestor à base de minhocas, que digerem toda a matéria orgânica. O efluente pré-tratado é bombeado para a cisterna do telhado verde, onde os microorganismos existentes nas raízes das plantas seguirão tratando esse efluente e a água da chuva acondicionada ali. Depois de tratada, a água é direcionada para uso não potável.
O arquiteto, urbanista e permocultor Otávio Urquiza, de Curitiba, destaca que também é possível usar uma cobertura de madeira no telhado ao invés da lage. Para isso, é utilizada uma manta especial de polietileno de alta densidade (Pead), para evitar infiltrações. "O sistema é simples e custa bem mais barato do que fazer um bom telhado convencional. A engenharia é a mesma, a biologia é que agrega. É um telhado biológico, com o objetivo de resgatar a complexidade biológica e salvar o planeta", explica.
Urquiza diz que no caso das cisternas podem ser armazenados de 3 mil a 9 mil litros de água. Segundo ele, no telhado verde também é possível projetar aquaculturas, como a criação de peixes, sapos e tartarugas em uma lâmina d´água, experiência que ele teve em uma casa em Porto Alegre.
"O sistema também é simples, o manejo é mínimo. É uma água biologicamente em movimento, as plantas oxigenam a água, os sapos e peixes comem mosquitos. Uma vez por ano é necessário fazer uma limpeza do fundo. As plantas também podem ser retiradas de um local do telhado e plantadas em outro, tudo é sustentável. No telhado também pode ser feita uma área de lazer, com a criação de decks e até cascatas", pondera.









