O psicólogo Márcio Ferraciolli, mestre em psicologia do trabalho e doutorando em sociologia do trabalho, assume uma postura de cautela ao falar sobre esse novo momento que o Brasil está vivendo. ''Não sei se o País vai sofrer com a falta de mão de obra. O que sei é que estamos vivendo novos tempos, que impõem novas formas de ser família, de ser trabalhador, de ser empregado(a)'', diz ele, que também é professor universitário.
Ferraciolli destaca que com o avanço das conquistas das empregadas domésticas - que estão instrumentalizadas com direitos e representadas por sindicatos á- as pessoas passaram a ter mais cuidado na hora da contratação e muitas chegam a nem contratar.
Com isso, o psicólogo pondera que há de fato um aumento no número de empregadas que estão assumindo novas formas de sobrevivência, inclusive como diarista, em decorrência dos processos de globalização.
Para ele, as profissões historicamente desvalorizadas, como é o caso das empregadas domésticas, estão ocupando novos valores na sociedade. ''A classe, mesmo ainda sendo desvalorizada por muitos, já tem novo status. A categoria busca novas formas de atuação que assusta quem não valoriza a profissão'', considera.
Segundo Ferraciolli, a busca por outras funções acontece muitas vezes porque a pessoa não consegue sustentar a família com o salário de doméstica. ''Eu não tenho informações suficientes para dizer se a trabalhadora chega a mudar de profissão em busca de status, pois muitas têm orgulho do que fazem'', observa.
O psicólogo não acredita que as novas tecnologias podem substituir o serviço dessas trabalhadoras, defendendo que ''tecnologia nenhuma supera o valor do trabalho''.
Repensando a trajetória histórica da profissão, ele destaca que trata-se de uma função que se origina da serva, denominada durante muito tempo como criada. ''A empregada doméstica confunfe-se com a história de exploração do trabalhador no Brasil, não somente nas indústrias ou setor rural, mas dentro de muitos lares'', avalia. (P.C.B.)

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