Tecnologia e diversão
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2004
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Imagine uma criança de nove anos que resolve montar seu brinquedo. A idéia que vem à cabeça é uma caixa que serve de mesa para bonecas, uma folha de papel que vira barquinho ou avião ou um pedaço de madeira que se transforma em espada poderosa. Mas para algumas crianças de uma escola de Londrina, a criação de brinquedos é coisa bem mais séria e trabalhosa.
Muito mais do que mesinhas e espadas, esses pequenos inventores desenvolvem projetos de casas de boneca inteligentes, barcos em metal que navegam de verdade, robôs que falam e outras criações que mais parecem saídas de um laboratório de algum cientista. São os alunos de uma escola de robótica, área da ciência que trabalha com acionamentos eletrônicos com a utilização da informática. Uma vez por semana, eles passam duas horas tendo aulas de elétrica, eletrônica e programação de computadores, desenvolvendo projetos que utilizam esses conhecimentos para solucionar problemas da vida cotidiana.
Na prática Atividades muito pesadas para uma criança? De acordo com o proprietário da escola e professor, o engenheiro mecânico Roberto Mathias Susin, o aprendizado acontece de forma natural para os pequenos e o tempo gasto com experiências é quase uma brincadeira. ''Temos alunos de cinco anos de idade. Dentro da capacidade de cada faixa etária, os alunos vão descobrindo a física e a mecânica'', garante. O trabalho com os mais novos é possível porque as crianças não precisam ter conhecimentos teóricos sobre as disciplinas. Susin diz que o objetivo é buscar respostas por meio de tentativas. ''Apresentamos um problema e as crianças tem que resolvê-lo através de tentativas. Depois que ela descobre a resposta, entende como a coisa funciona. A função do professor é descobrir junto e auxiliar o aluno, não ensinar como se faz nos colégios convencionais'', afirma.
No entanto, as aulas acabam tendo reflexo no desempenho dos pequenos na escola convencional. O professor conta que alguns pais, com filhos em dificuldades na escola, procuram a robótica como forma de melhorar as notas em disciplinas como física e matemática. ''A criatividade e a capacidade de raciocínio das crianças melhora muito depois do contato com a robótica. Tenho alunos de 14 anos que conversam com engenheiros como se fossem profissionais'', comenta. Além das aulas normais do curso, os alunos escolhem projetos que serão desenvolvidos durante o ano. Dentre os mais curiosos estão uma aluna de dez anos que desenvolveu um sistema inteligente para uma casa de bonecas, outras duas que criaram um minielevador. Já a febre entre os garotos são os barcos e os robôs para competição.
Campeonatos Foi mesmo a guerra de robôs que deu destaque à robótica, atraindo tanto os jovens cientistas. No início, Susin diz que eram feitos combates entre os robôs desenvolvidos pelos alunos, mas atualmente esses duelos foram substituídos por campeonatos de habilidade. ''Achamos que a guerra de robôs incentivava a violência de alguma maneira. Agora, os alunos constróem robôs que devem ser capazes de realizar determinadas tarefas, como percorrer um percurso com obstáculos em menos tempo'', conta. No ano passado, a tarefa era construir barcos para uma corrida. Sem nenhum componente pronto, os alunos devem desenvolver toda a estrutura de suas invenções. ''Eles têm todas as ferramentas e materiais necessários, mas nada é entregue pronto aos alunos, como esses kits que acompanham as revistas. Aqui eles fazem tudo'', diz Susin.
E o interesse das crianças é tanto que, mesmo estando em período de férias, várias delas visitam a escola e passam horas nos laboratórios, sempre com a supervisão de professores para garantir a segurança. É o caso de Mateus Lot Sanches, 13 anos. Aluno da escola há um ano, Mateus já desenvolveu um barco para uma competição no ano passado e pretende criar um carro movido à energia solar para esse ano. ''Meu avô e meu pai trabalham com elétrica e eu sempre me interessei pelo assunto. Eu que pedi para fazer o curso porque gosto de mexer com ferramentas e peças'', explica. Com relação à escolha para o projeto deste ano, ele dá uma lição de preocupação e visão do futuro. ''A idéia do carro à energia solar veio porque um dia o petróleo vai acabar. Precisamos encontrar outro tipo de combustível, menos poluente e mais abundante'', ensina.
Adultos também Não são apenas crianças e adolescentes que procuram a robótica. Susin afirma que a maioria dos alunos da escola está entre os 12 e 14 anos de idade, mas também existem turmas de adultos. São profissionais que lidam com robótica e desejam aprender mais sobre o assunto. ''Temos engenheiros elétricos, mecânicos e outros profissionais, pessoas que precisam da robótica e querem melhorar o currículo. Muitas vezes, a faculdade não ensina tanto a prática e fica difícil de o aluno entender. Aqui eles aprendem pela prática aquilo que viram na teoria'', diz.
O interesse de tantas pessoas pela robótica, segundo Susin, vem da sua grande utilização no mundo moderno e a possibilidade de resolver problemas da vida cotidiana. ''Desde um braço mecânico até um robô e um semáforo são elementos robóticos. Usamos essa tecnologia cada vez mais em nossa vida'', finaliza. O curso possui quatro níveis, que são alcançados de acordo com o desenvolvimento de cada aluno. O preço da mensalidade é de R$ 112,00 com materiais incluídos.n


