Técnica induz crescimento de ossos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de abril de 1999
Eliane Azevedo Agência Estado 
Pesquisadores americanos estão testando uma técnica que induz o crescimento dos ossos, no caso de doenças que causam dificuldades de consolidação, como a pseudoartrose. O estudo, apresentado pelos especialistas americanos Henry Hanff, Donald Kucharzyk e Edwin Clayton Shors durante um curso no Instituto Nacional de Traumato-Ortopedia (Into), no Rio, é uma evolução da técnica, desenvolvida em 1982, que utiliza corais do Pacífico nos transplantes ósseos.
O uso do coral, associado à administração de uma proteína, inicia e acelera o processo de crescimento ósseo mesmo quando há fragilidade do material. A pesquisa foi autorizada recentemente pelo Food and Drug Administration (FDA). Esse trabalho abre uma nova era para os enxertos ósseos, afirma o chefe do Serviço de Transplantes Ósseos do Into, Sérgio Cortes. Os primeiros resultados clínicos do estudo devem ser divulgados em um ano.
Segundo Hanff, chefe da Cirurgia Ortopédica do Columbia Hospital (EUA), há dois tipos de coral, pertencentes ao gênero goniopora, que apresentam uma estrutura idêntica ao do osso humano. A vantagem dessa alternativa está em seu risco quase nulo de problemas. Quando se faz um enxerto com ossos do próprio paciente, de um doador ou de cadáveres, há o risco de infecções e de transmissão de doenças. Os corais são esterilizados, funcionam muito bem e não há rejeição, garante ele.
Como esse tipo de coral é poroso, num prazo que vai de 6 a 24 meses, as artérias crescem, o tecido se recompõe e nasce um verdadeiro osso humano. As novas pesquisas, no entanto, vão além desse ponto. O processo de indução do crescimento ósseo vai permitir uma eficácia maior dos enxertos em pacientes que têm ossos de má qualidade, aponta Cortes. Essa indução, explicou ele, não acontece quando se utilizam ossos retirados de pessoas com morte cerebral, mas apenas em ossos vivos e no coral. Quando usamos enxerto retirado do osso de um paciente ou de um doador vivo, porém, há uma limitação de quantidade, que não ocorre com o coral, explica o médico.


